Loading
fechar

Acesse o conteúdo da Revista

Se você não tem cadastro, Cadastre-se agora

Acesse o conteúdo completo Assine a Revista

Impressa ou digital, em até 12x no cartão

Carrinho

Seu carrinho contém

Item Valor

Revista Negócios PE

Edição nº 142

R$ 130,00

Revista Negócios PE

Edição nº 142

R$ 130,00
Subtotal R$ 149,90

Matérias

Encontre a matéria abaixo ou pesquise aqui

ou por Revistas Guias Seções Cadernos Especiais

Artigos » Pernambuco Saúde - 3ª Edição

Acreditação Hospitalar

Por Conceição Lira
Conceição Lira

O mercado hospitalar encontra-se em crescimento e transformação, porém, a exigência dos clientes também tem aumentado e os erros na assistência prestada pelas equipes de saúde nas redes públicas e privadas têm sido uma rotina nos noticiários.

Imagine se o serviço de som na recepção de um hospital anunciasse: “atenção, senhores clientes, informamos que nosso hospital está atendendo este mês com uma taxa de infecção em torno de 10%. Fiquem tranquilos, estamos trabalhando para minimizar este índice’’. Com certeza todos os clientes desistiriam do atendimento.

Os empresários e gestores de saúde não suportam mais os custos relacionados à má qualidade dos serviços, gastos altos com retrabalho, despesas com processos ineficientes que repercutem de forma negativa para a imagem da instituição e, como consequência, perda de clientes e mercado.

Diante deste cenário, a melhor estratégia para a implantação da qualidade dos serviços de saúde é o Programa de Acreditação Hospitalar (procedimento de avaliação dos recursos institucionais, de forma periódica, voluntária, racionalizada, ordenadora e, principalmente, de educação continuada dos profissionais, com o intuito de garantir a qualidade da assistência por meio de padrões previamente aceitos).

O processo deve ser entendido em duas dimensões: uma de natureza educacional, que incentiva especialmente os profissionais de saúde a adquirirem a cultura da qualidade para implementação da gestão de excelência, e, posteriormente, outro processo de avaliação e certificação que analisa e atesta o grau de desempenho alcançado pela instituição de acordo com padrões pré-definidos.

A dimensão educacional da acreditação hospitalar precisa encantar e acolher os profissionais de saúde para que estes possam aderir ao processo. É fundamental que a equipe de auditores, desde o início, busque a compreensão das qualidades, virtudes e fraquezas das equipes, agindo com tolerância. E que os questionamentos aconteçam com uma linguagem clara, não devendo se estabelecer um clima de pressão e estresse nas equipes, evitando assim que os auditores sejam vistos como ameaças, e tendo como respostas psicológicas medos e angústias.

O processo de acreditação hospitalar é influenciado pelo nível de motivação e envolvimento dos profissionais da área de saúde, observando-se os aspectos positivos e negativos.

Como positivo, enxergo o crescimento pessoal e a qualificação do currículo, alcançados pelos cursos de capacitação e atualização, além do sentimento de orgulho, satisfação e reconhecimento que está relacionado ao compartilhamento da responsabilidade pela conquista do título e pela valorização do hospital. O orgulho deriva da sensação de “pertencimento” a uma empresa que se admira e da identificação de seus valores pessoais com os valores da organização. Como aspecto negativo, registro o estresse e a cobrança advindos das demandas impostas pelos processos de certificação, o que gera um sentimento de desmotivação, falta de valorização, sensação de pouco prestígio diante do grande desafio que ocorre no dia a dia, já que os erros são notados e criticados, ao passo que os elogios em face das metas e das vitórias conquistadas não apresentam grandes repercussões.

No confronto entre as razões positivas e os argumentos negativos que são apresentados pelos profissionais no ambiente das implicações do processo de acreditação para o meio profissional, observa-se que a valorização e o conhecimento adquiridos por cada indivíduo superam o estresse e a cobrança, já que é impossível conquistar melhorias sem o aumento da responsabilidade. Os pontos negativos apresentados advêm da própria novidade, pois o novo projeta insegurança e resistência imediatas, mas momentâneas. Assim, é inegável que a recompensa voltada à valorização e ao reconhecimento do profissional, mediante elogios, palavras de apoio e outras formas de incentivo, principalmente do ponto de vista financeiro, minimiza a visão negativa apresentada pelos profissionais.

A viabilização das mudanças passa pelo processo de educação, portanto seria de grande contribuição se as universidades introduzissem nos componentes curriculares o tema Acreditação Hospitalar nos cursos de graduação relacionados às ciências da saúde e áreas afins e os cursos de formação técnica de nível médio relacionados à área, como também as prestadoras de serviços comprovassem a capacitação dos colaboradores através de registros.

É ainda fundamental que as vigilâncias sanitárias estaduais e municipais realizem inspeções, a princípio de caráter educativo, e posteriormente fiscalizatório, e ofereçam cursos voltados à temática para gestores e técnicos das instituições hospitalares que estão longe desta realidade que é a acreditação, buscando a melhoria da assistência prestada à sociedade.


Conceição Lira é doutoranda do Programa de Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mestre em Tecnologia Ambiental, especialista em Gestão Ambiental. É graduada em Enfermagem e professora assistente da UFPE. Consultora da Anvisa (redatora do Manual de Limpeza e Desinfecção de Superfície/Anvisa), consultora da empresa Solunni Higienização Hospitalar e consultora em Qualidade, Biossegurança e Controle de Infecção Hospitalar.
noronhaelira@hotmail.com

Pernambuco Saúde - 3ª Edição
Revista Negócios PE

Pernambuco Saúde - 3ª Edição

Matérias desta edição

Publicidade | Publicidade 03 - Banner Matrias
PUBLICIDADE