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Artigos » Pernambuco Saúde - 3ª Edição

Alta tecnologia a serviço da saúde do Brasil

Por Rômulo Maciel Filho
Rômulo Maciel Filho

Milhões de brasileiros sofrem com hemofilia, imunodeficiência primária, cirrose, câncer, Aids e queimaduras graves, ou estão internados em unidades de terapia intensiva dos hospitais públicos. Esses pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) fazem uso de medicamentos de alta tecnologia ainda não existentes no Brasil. Produtos que vêm de países como Estados Unidos, França e Inglaterra e que custam aproximadamente R$ 1 bilhão por ano ao País. No intuito de fabricar esses remédios em território nacional e ampliar o acesso à saúde, o Governo Lula, que tinha na época como ministro da Saúde o senador Humberto Costa, decidiu criar a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás), sinônimo de vitória para os sanitaristas que lutaram pela vigência e consolidação da Política Nacional de Sangue e Hemoderivados no País.

Com oito anos de existência, a Hemobrás avança em sua fábrica de hemoderivados, inédita no Brasil e a maior da América Latina. O primeiro módulo do parque fabril de 48 mil metros quadrados de área construída já está em operação no município de Goiana, a 63 quilômetros do Recife. Trata-se do prédio da câmara fria, que opera a 35º C negativos para armazenar a matéria-prima dos medicamentos: o plasma, componente do sangue humano doado nos hemocentros em todo o País. É a mais moderna câmara frigorífica da América do Sul. Afora esse bloco, estão sendo construídos 12 prédios da fábrica, que devem ser concluídos em 2014. O valor total do projeto está orçado em R$ 670 milhões.

A planta industrial, situada em um terreno de 25 hectares, terá capacidade para processar 500 mil litros de plasma por ano, suficientes para produzir os fatores de coagulação VIII e IX, usados por pessoas com hemofilia A e B; fator de von Willebrand e complexo protrombínico, empregados em indivíduos com dificuldade de coagulação; albumina, para pacientes queimados ou com cirrose; e imunoglobulina, eficaz no tratamento de mais de 50 tipos de enfermidades, entre elas doenças autoimunes e infecciosas.

Os medicamentos da Hemobrás serão produzidos com o plasma dos brasileiros doadores de sangue. Hoje, são realizadas 3,6 milhões de doações de sangue por ano no País, volume que atende à demanda inicial da fábrica, mas que pode aumentar, assim como a qualidade das condições de armazenamento do plasma nos hemocentros, fornecedores da matéria-prima à estatal. Para isso, políticas públicas mais eficazes são necessárias, por parte da União e dos Estados, com o aumento do protagonismo dos serviços de hemoterapia na saúde pública, investindo recursos financeiros e capacitando mão de obra. Isso porque o sangue é um bem nobre, patrimônio da União, portanto deve ser tratado por todos com a relevância que merece. Vale lembrar que, diferentemente de qualquer outro insumo fabril no nosso País, ele não pode ser comercializado, uma conquista da população constante em nossa Carta Magna.

A produção atenderá ao SUS de Norte a Sul do País, evitando problemas de desabastecimento por vezes enfrentados pelo Governo Federal devido à alta demanda do mercado mundial.

Com a fabricação desses medicamentos no Brasil, será possível reduzir a dependência externa e aumentar a qualidade de vida de milhares de pessoas que necessitam dos hemoderivados para viver, como é o caso dos pacientes com hemofilia.

Para consolidar uma estatal desse porte, estratégica para a nação brasileira, quase 120 profissionais lotados na sede em Brasília, no Recife e em Goiana dedicam-se a várias atividades, entre elas o acompanhamento das obras civis da fábrica, que hoje empregam mais de 400 trabalhadores, entre pedreiros, serventes de pedreiro, carpinteiros e armadores oriundos dos municípios daquele entorno e da Paraíba.

Quando estiver em pleno funcionamento na Zona da Mata Norte pernambucana, a companhia possibilitará uma nova realidade à região, historicamente marcada pela cana-de-açúcar, pois empregará 360 profissionais da mais alta especialização, a exemplo de farmacêuticos, biólogos e engenheiros, além de gerar 2.720 empregos indiretos e uma gama de demandas por serviços. Não é por acaso que a empresa é âncora do Polo Farmacoquímico do Estado, para o qual o governo de Eduardo Campos vem trabalhando para atrair novos investimentos, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento socioeconômico, a exemplo do que já se conseguiu com a Mata Sul.

Os profissionais da empresa também se empenham na transferência de tecnologia para a produção dos hemoderivados e biotecnológicos, que é o coração deste projeto. A empresa está comprando do Laboratório Francês de Biotecnologia (LFB), também estatal, a expertise dos produtos. Isso consiste no fornecimento de projetos básicos e executivos de engenharia para a construção da planta industrial nos mesmos moldes franceses, de equipamentos fabris e, fundamentalmente, no treinamento de profissionais, pois não se faz transferência de tecnologia sem pessoas. Seis profissionais da Hemobrás já estão na Europa, desde setembro do ano passado, adquirindo esse conhecimento vanguardista para nosso País. Eles regressarão em outubro próximo, trazendo consigo algo antes inimaginável à nossa nação: o conhecimento da produção dos hemoderivados.

E a empresa está indo além dos medicamentos derivados do plasma. Em breve deveremos adquirir tecnologia da multinacional norte-americana Baxter. Treinaremos nossas equipes na Suíça para produzir o fator VIII recombinante, que se apresenta hoje como a mais avançada tecnologia no tratamento da hemofilia A. O produto é elaborado por meio de engenharia genética, o que permite que sua capacidade de produção seja ilimitada, ao contrário dos demais hemoderivados, que necessitam do uso do plasma humano. A transferência da tecnologia, com valor estimado de US$ 100 milhões no primeiro dos dez anos de contrato, será acompanhada do fornecimento imediato de medicamentos para o Brasil. Em 2013 esperamos distribuir 300 milhões de UIs (unidades internacionais – padrão farmacêutico mundial) ao SUS, beneficiando 10 mil hemofílicos.

Em pouco mais de três anos de gestão, enxergamos os avanços aqui pontuados. Tudo isso graças a um planejamento estratégico focado em resultados e ao monitoramento de todas as ações, desde a instalação do escritório operacional em Pernambuco, em 2010, à concretização dia após dia das obras civis e das etapas de transferência de tecnologia. Entretanto, um projeto dessa envergadura apresenta grandes obstáculos. Desafios que servem de estímulo para o cumprimento de nossa missão: ofertar hemoderivados e medicamentos biotecnológicos de qualidade internacional a milhares de brasileiros.


Rômulo Maciel Filho é economista, mestre em Planejamento e Gestão de Políticas Públicas de Saúde pela Leeds Metropolitan University e doutor pelo Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. É servidor da Fiocruz há 27 anos, onde ocupou cargos de direção. Atuou na Anvisa, foi assessor do ministro da Saúde e atualmente é presidente da Hemobrás.
rmf@hemobras.gov.br

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