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Ele salva vidas

Por Drayton Nejaim | Foto de Bosco Lacerda
Médico-cirurgião, professor, doutor e pós-doutor, Cláudio Lacerda também coordena o curso de medicina da Uninassau

Nos quatro últimos meses, nada menos que três pacientes vindos de São Paulo entraram na Unidade de Transplante de Fígado (UTF) do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (que opera principalmente no Hospital Jayme da Fonte), no Recife, foram transplantados, tiveram alta e voltaram para o seu Estado. Esse fluxo de pacientes de alta complexidade, que sempre aconteceu no sentido contrário, de Pernambuco para São Paulo, é um fenômeno novo e reflete bem a credibilidade que nosso polo médico vem adquirindo no cenário nacional, notadamente, em algumas áreas de especialidade.

O chefe da UTF, Dr. Cláudio Lacerda, cirurgião pioneiro em transplante de fígado no Norte e Nordeste e um dos primeiros a realizar esse tipo de cirurgia no País, lidera a equipe multidisciplinar pernambucana que já é reconhecida internacionalmente, tendo realizado 113 procedimentos daquela espécie somente em 2012. No total, Dr. Lacerda liderou 680 transplantes, o que levou Pernambuco a assumir a segunda colocação do Brasil em volume de intervenções.

No início dos anos 1990, realizar um transplante de fígado no Nordeste não passava de um sonho, uma utopia. A substituição de um fígado doente por um saudável, retirado de um doador com morte cerebral, é uma intervenção cirúrgica das mais complexas e desafiadoras dentre as que podem ser realizadas no corpo humano. Quando o cirurgião anunciou que iria realizá-la em Pernambuco, pairou no meio médico local e nacional uma forte desconfiança em relação às chances de sucesso. Duvidava-se de que se dispusesse de recursos humanos e tecnologia adequada para superar as dificuldades técnico-cirúrgicas, clínicas e organizacionais inerentes ao procedimento.

Depois de uma longa fase de treinamento da equipe utilizando animais de experimentação e cadáveres, foi dado inicío ao programa, em 16 de agosto de 1999. O primeiro transplante durou 12 horas e 20 minutos. A paciente, Maria da Conceição Soares, que tinha cirrose avançada, teve alta dez dias depois e atualmente, 13 anos mais tarde, leva uma vida normal, em Natal (RN), sua cidade de origem.

Superada a fase inicial de incertezas, a equipe foi ampliada e passou a realizar um número cada vez maior de cirurgias, atraindo até os dias atuais doentes de onze estados diferentes. Pacientes com idades que variam entre 5 meses e 74 anos integram a lista de transplantados, com as mais diferentes formas de doença do fígado como cirrose (por vírus C, por álcool, por doença metabólica, etc), tumores benignos e malignos, hepatite fulminante, doenças congênitas, etc.

Buscando atender a essa demanda crescente, foi articulado em Pernambuco um grupo de captação, que viaja em busca de fígados para transplante em estados distantes, a qualquer dia e hora, lutando contra o tempo e superando dificuldades logísticas complexas. Na outra ponta, buscando acolher os pacientes da lista de espera por um fígado, muitos saídos de longe, pobres ou empobrecidos pela doença, e buscando cuidar deles de maneira ampla e humanizada, e não apenas dos seus órgãos doentes, foi criada em 2003, a Associação Pernambucana de Apoio aos Doentes de Fígado (APAF). Em 2012, a entidade inaugurou sua Casa de Acolhimento, em frente ao Hospital Oswaldo Cruz, com capacidade para hospedar 20 pessoas, com assistência integral multiprofissional gratuita, antes e depois do transplante.

Ao longo dos últimos 13 anos, a Unidade de Transplante de Fígado cresceu de forma sustentada, e ambiciona se tornar, nos próximos anos, o maior centro de transplantes de fígado do País e um dos maiores do mundo. A UTF teve seu desempenho reconhecido pelo Ministério da Saúde que, em 2010 e 2011, a escolheu para receber o prêmio Destaque do Ano em Transplante de Órgão. Além de salvar vidas, o grupo liderado pelo Dr. Lacerda contribuiu para elevar a qualidade da Medicina em nossa região, formando profissionais de alto nível, através de um modelo de ensino amadurecido e que hoje é reconhecido. O cirurgião pernambucano é um orgulho para seus pares e uma referência nacional na sua especialidade. Merece nosso aplauso.

Pernambuco Saúde - 3ª Edição
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