Moradores de Goiana Enfrentam Descaso Após Enchentes: “Estamos Jogados às Traças”
Famílias da Zona da Mata Norte de Pernambuco vivem sob constante medo e falta de apoio público após perdas significativas em suas casas.
Em Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, as recentes chuvas trouxeram não apenas inundação, mas também desespero e a sensação de abandono por parte das autoridades. Os moradores das áreas ribeirinhas relatam perdas materiais e a angústia de viver em meio a lama e rachaduras nas paredes.
Angústia e Perdas
Maria de Fátima Galdino da Silva, de 49 anos, convive com esse medo há mais de uma década, já tendo enfrentado seis enchentes. Para ela, as noites de chuva são um pesadelo que afeta sua saúde, levando-a a episódios de ansiedade. “Quando começa a chover, não consigo dormir, só imagino a água enchendo em casa”, desabafa Maria, que viu seus móveis e alimentos serem arrastados mais uma vez.
As consequências das enchentes são devastadoras. Muitas famílias perderam quase tudo, como eletrodomésticos e roupas. “Me desesperei. Estava dizendo ao meu esposo que não aguento mais isso”, lamentou.
Casa em Ruínas
O pedreiro Severino Ramos é outro que sofre com as consequências das enchentes. Ele conta que as paredes de sua casa continuam a ceder, um ciclo que parece não ter fim. “A gente remenda com arame, mas tudo volta a se quebrar. Se deixar no chão, perde tudo”, relata. O improviso é uma constante; os poucos bens que sobraram são empilhados em lugares altos para não serem danificados.
Críticas ao Poder Público
A insatisfação com o poder público é uma constante entre os moradores. Muitos afirmam que, nos últimos dez anos, representações do governo só apareceram na região após as chuvas de maio de 2023. Contudo, as soluções propostas são vistas como inadequadas. O auxílio-aluguel de R$ 500 oferecido pela prefeitura não cobre o valor real das locações, que variam de R$ 800 a R$ 1.000.
“Estamos jogados às traças. Dependendo da política, a gente não tem suporte algum”, critica Fábio Henrique, servente de obra, que expressa sua indignação com a assistência oferecida.
Os relatos de problemas no fornecimento de alimentos em abrigos também são alarmantes. "Os alimentos demoram a chegar, é um descaso completo", reclama.
Resposta da Gestão Municipal
A vice-prefeita e secretária de saúde, Lícia Maciel, informou que escolas estão sendo utilizadas como abrigos e que a gestão está mobilizada para atender os afetados. Ela reconhece a gravidade da situação, afirmando que é um ano atípico para Goiana.
“Em um ano normal, não teríamos duas enchentes seguidas. Este é um ano excepcional e temos que lidar com a rapidez com que a água sobe”, explicou.
Lícia Maciel também comentou sobre as críticas em torno do auxílio financeiro, garantindo que R$ 2.500 devem ser depositados em breve para as famílias afetadas, além do aluguel social de R$ 500.
Caminhos para o Futuro
Visando soluções a longo prazo, a prefeitura pretende contratar uma empresa especializada para estudar a situação do rio. Embora a comunidade tenha sugerido a dragagem como solução, especialistas apontam que a maré pode trazer de volta a areia, tornando o esforço ineficaz.
“Precisamos de um estudo responsável para encontrar soluções viáveis”, concluiu a vice-prefeita.
Os moradores de Goiana seguem esperançosos, mas com a certeza de que a luta contra as enchentes ainda está longe de terminar. A necessidade de um suporte efetivo e soluções duradouras se torna cada vez mais urgente.
Fonte: www.leiaja.com






