Trabalhadores Informais Protestam Contra Tolerância Zero: O Que Está em Jogo?

Vendedores Ambulantes Protestam Contra Programa "Tolerância Zero" no Rio

Trabalhadores informais se mobilizam em Ipanema após pedido do MPF pela suspensão de programa da Prefeitura

Cerca de 300 camelôs e vendedores ambulantes se reuniram neste sábado (19) em frente ao Hotel Fasano, em Ipanema, em mais um protesto contra o programa "Tolerância Zero" da Prefeitura do Rio de Janeiro. A iniciativa, que visa intensificar a fiscalização do comércio ambulante na orla da zona sul, gerou descontentamento entre os trabalhadores, que se sentem criminalizados.

Esta manifestação marca o quarto ato consecutivo realizado por essas categorias durante a semana. A pressão aumentou após o Ministério Público Federal (MPF) solicitar à Justiça a suspensão do programa, argumentando que a prefeitura não respeitou normas federais em sua implementação.

Mobilização e Reivindicações

Durante o protesto, os manifestantes utilizaram panelas, apitos e tambores, entoando frases de ordem como “Unidos podemos trabalhar”. Eles buscam visibilidade para o que consideram uma injustiça e exigir uma mesa de negociação com o governo municipal.

Maria de Lourdes do Carmo, conhecida como Maria dos Camelôs e coordenadora do Movimento Unido dos Camelôs (Muca), garantiu que as mobilizações continuarão "enquanto não houver diálogo".

“Vai ter ato todos os dias. Estamos organizados para voltar às ruas. Não aceitaremos a criminalização da nossa categoria”, afirmou.

Apostando no Ordenamento e Regularização

Maria também destacou que os trabalhadores não se opõem ao ordenamento do comércio ambulante, mas pedem uma clara distinção entre vendedores informais e organizações criminosas. Muitos aguardam, há anos, pela autorização necessária para atuar legalmente.

“Nossa reivindicação é simples: queremos trabalhar. Devemos combater as irregularidades, mas não podemos ser tratados como criminosos. É preciso estabelecer negociação com os trabalhadores e respeitar nossos direitos ao trabalho”, enfatizou.

Ação do Ministério Público Federal

Na sexta-feira (18), o MPF entrou com uma ação civil pública pedindo a suspensão imediata do programa "Tolerância Zero". O órgão sustenta que a prefeitura instituiu uma política de fiscalização sem observar as normas que regem as praias e bens da União.

Além da suspensão, o MPF requer que a União e o município desenvolvam um plano conjunto para harmonizar o ordenamento urbano, o combate ao crime organizado, e a proteção dos direitos dos trabalhadores ambulantes.

O procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, criticou a falta de diálogo na implementação do programa, que afeta milhares de trabalhadores que dependem dessa atividade para sua sobrevivência.

Resposta da Prefeitura

O prefeito em exercício, Eduardo Cavaliere, defendeu a manutenção do programa, considerando injusta a solicitação do MPF. Em suas redes sociais, ele alegou que a prefeitura possui a competência constitucional necessária para ordenar o espaço urbano e combater estruturas criminosas que exploram o comércio ambulante.

“A fiscalização visa enfrentar organizações criminosas e garantir a autoridade do poder público”, afirmou Cavaliere.

Por outro lado, Maria dos Camelôs criticou a atitude do prefeito, apontando que a ausência de diálogo é desrespeitosa tanto com o Ministério Público quanto com os trabalhadores.

Próximos Passos do Movimento

Após a manifestação, Maria revelou que o movimento planeja intensificar sua articulação institucional. Representantes da categoria já iniciaram conversas com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e pretendem levar suas reivindicações ao governo federal.

“Nosso próximo passo é denunciar a situação ao governo federal. Queremos que as conversas avancem e que haja um cessar-fogo nesta guerra entre a prefeitura e os trabalhadores”, concluiu.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br