Migrantes de Ceuta compartilham histórias de desilusão após tentativa de passagem para a Espanha
Experiências traumáticas marcam retorno ao Marrocos após fraudes e preconceito em Ceuta.
Neste sábado (1º), Mohamed Nias, um jovem de 23 anos, retornou ao Marrocos desanimado, após uma tentativa fracassada de atravessar a fronteira para Ceuta, um enclave espanhol. Ele conta que a experiência foi devastadora e desaconselha qualquer um a seguir o mesmo caminho.
A realidade de Ceuta
Descalço e visivelmente frustrado, Mohamed Nias relatou à AFP que a travessia para Ceuta, feita por mar, não trouxe os sonhos que esperava. Em vez disso, ele enfrentou "sofrimento e racismo" ao lado de outros migrantes. "Não comi nada desde quinta-feira, quando, na verdade, vivo com dignidade no meu país", disse o vendedor de frutas, residente em Tânger, cidade a cerca de 70 km de distância.
Mohamed já havia tentado imigrar em 2021, mas a experiência recente apenas solidificou sua convicção de que Ceuta não é o destino desejado. "Não vão nunca para lá, vocês só vão sofrer", advertiu ele.
Processo de repatriação
Autoridades marroquinas continuam a repatriar os migrantes devolvidos de Ceuta. As imagens de jovens chegando ao enclave, celebrando e fazendo gestos de vitória, foram rapidamente ofuscadas pela dura realidade. Youssef, um salva-vidas de 27 anos também repatriado, descreve a experiência como uma “má experiência” e ressaltou a hostilidade que enfrentaram na cidade.
"Nós fomos maltratados, alguns nos perseguiram com paus. Passei a noite em uma floresta. Foi um inferno", relatou Mohamed.
Insegurança e desorganização
O fluxo de migrantes para Ceuta, que rapidamente aumentou, levou muitos a questionar a eficácia da segurança na região. Especialistas mencionam a ausência de operações policiais robustas, apesar da situação ter sido esperada. "Havia controles normais, mas nenhum dispositivo excepcional", confirmou uma fonte próxima às operações.
Uma busca por um futuro melhor
Muitos dos migrantes, como o estudante Ayub El Abied, de apenas 16 anos, acreditavam que a Espanha ofereceria oportunidades e acolhimento. Ayub, um “bom aluno”, apostou em uma vida melhor, sem saber que menores de idade também enfrentavam devoluções.
Abdeluahed Fetachi, um jovem de 20 anos, descreveu também sua falta de alimentos em Ceuta. "Não aconselho ninguém a ir para lá. Tínhamos um sonho, mas ele foi destruído", lamentou. Assim como Rachid Auchari, de 32 anos, que decidiu partir devido à falta de emprego, muitos deles também expressam alívio por retornarem ao lar. "Só quero rever meus filhos", conclui Rachid.
Reflexão sobre desigualdade e esperança
O Marrocos está em um ciclo de crescimento econômico, com uma previsão de quase 5% para 2025, mas enfrenta profundas desigualdades. O desejo por uma vida melhor, no entanto, continua a levar os jovens a se arriscar em jornadas incertas.
As histórias de desilusão e experiências traumáticas de Mohamed, Youssef, Ayub e outros ecoam em um ciclo que reflete não apenas a busca por oportunidades, mas também a dura realidade da imigração.
Fonte: www.folhape.com.br







