Índia Avança em Programa de Caça com Parcerias Internacionais para Desenvolvimento de Motores
Companhias britânicas e francesas competem por contrato para co-desenvolver motores para avião de quinta geração
A Índia está em busca de romper sua histórica dependência de motores estrangeiros para suas aeronaves de caça. Em um movimento estratégico, o país anunciou parcerias com empresas internacionais para co-desenvolver motores para seu programa de caça de quinta geração, o que representa uma nova fase na indústria aeroespacial indiana.
Concorrência entre Gigantes do Setor Aeronáutico
A Rolls-Royce, fabricante britânica de motores, destacou-se como uma das principais candidatas ao entrar em uma parceria com a Reliance Industries, um dos maiores conglomerados da Índia. Juntas, as empresas firmaram uma "intenção estratégica" para desenvolver e fabricar um motor indígena para o programa de caça stealth. Além disso, elas exploram a criação de um complexo de turbinas a gás na Índia, o que poderia fortalecer a base industrial do país.
Por outro lado, a francesa Safran propôs o desenvolvimento de um motor de alta potência em colaboração com o Gas Turbine Research Establishment, uma entidade estatal indiana. Essa proposta, que já está em avaliação pelo Comitê de Segurança do Gabinete da Índia, busca contribuir para o projeto do Avançado Caça de Combate Médio (AMCA).
Objetivo de Autossuficiência
A meta de Nova Déli vai além da simples aquisição de tecnologia. O país quer adquirir a capacidade de desenvolver motores que atendam suas necessidades militares, uma demanda que até hoje depende de fornecedores estrangeiros. Os primeiros modelos do caça de quinta geração ainda devem utilizar o motor americano GE F414, mas a Índia planeja, para as variantes posteriores, um motor turbofan de classe 120 kN, para o qual busca um parceiro disposto a compartilhar tecnologias avançadas.
A Rolls-Royce já havia apresentado propostas anteriores que incluíam transferência completa de tecnologia, mas a recente parceria proposta com a Reliance leva a inovação um passo adiante, visando também o desenvolvimento de uma base industrial robusta.
O CEO da Rolls-Royce, Tufan Erginbilgic, ressaltou que essa colaboração representa uma grande oportunidade para construir um ecossistema aeroespacial autossuficiente no país. Anant Ambani, diretor executivo da Reliance, complementou afirmando que a combinação das expertises das duas empresas ajudará a garantir a autonomia estratégica da Índia em tecnologias críticas.
Proposta da Safran em Foco
Saindo na frente, a proposta da Safran já está mais avançada e inclui a co-desenvolução de um novo motor em conjunto com a Organização de Pesquisa e Desenvolvimento em Defesa (DRDO) da Índia. A empresa francesa promete compartilhar tecnologias cruciais, permitindo que engenheiros indianos adquiram habilidades essenciais para futuros programas de propulsão.
Enquanto a Índia se esforça para desenvolver sua capacidade de produção de motores, especialistas indicam que essa é uma prioridade inadiável. O ex-Marechal do Ar Anil Khosla enfatiza que a dependência de fornecedores estrangeiros representa uma vulnerabilidade tecnológica significativa, e que o sucesso do desenvolvimento de um motor indígena depende da disposição das empresas de compartilhar conhecimento técnico.
Conforme a competição avança, a decisão do governo indiano sobre qual parceria seguir pode ditar o futuro da sua força aérea e sua autonomia em um setor estratégico.
Fonte: www.defensenews.com








