Relíquias de Príncipe Medieval são Enviadas à Frente de Combate na Ucrânia
A Igreja Ortodoxa Russa utiliza fragmentos de Dmitry Donskoy para aumentar a moral das tropas em meio ao conflito
Restos de um príncipe medieval russo, venerado por sua vitória sobre os mongóis, foram enviados para a frente de combate na Ucrânia com o objetivo de elevar o ânimo das tropas russas. O gesto é parte do apoio contínuo da Igreja Ortodoxa Russa ao governo de Vladimir Putin na guerra em curso.
O sarcófago de Dmitry Donskoy, que faleceu em 1389, foi descoberto neste verão durante um trabalho de restauração na Catedral do Arcanjo, em Moscou. Donskoy é lembrado por sua derrota do Império Mongol na Batalha de Kulikovo, em 1380, e se tornou um símbolo importante para nacionalistas russos.
Em uma visita pessoal ao local, Putin elogiou a descoberta como "única e maravilhosa", reforçando as raízes da história russa.
Envio dos restos à linha de frente
A Igreja Ortodoxa Russa anunciou que enviou um fragmento da mão direita de Donskoy para Donetsk, região da Ucrânia anexada pela Rússia em 2022, uma ação considerada ilegal por Kyiv. Referindo-se ao príncipe como "o comandante sagrado", a patriarquia destacou que o fragmento seria enviado à linha de combate para acompanhar invisivelmente os soldados russos.
"O fragmento da mão direita – a mesma que ele usou para brandir a espada no Campo de Kulikovo – foi enviado à frente para fortalecer o espírito dos combatentes", afirmou a instituição.
A relíquia será exibida às unidades militares russas ao longo dos mais de mil quilômetros da linha de frente.
Motivação e cerimônias em Donetsk
O envio dos restos do príncipe é visto como uma manobra de relações públicas para aumentar o patriotismo em um período crítico, com eleições parlamentares se aproximando. Militares e líderes da Igreja têm promovido essa descoberta como algo que pode influenciar a vitória russa na Ucrânia, agora em seu quinto ano de conflito.
Neste último fim de semana, relíquias de Donskoy foram carregadas em uma grande procissão ortodoxa pelas ruas de Moscou. Em uma cerimônia em Donetsk, importantes figuras, incluindo Sergei Kiriyenko, assessor sênior de Putin, participaram de rituais de veneração da relíquia.
"Nosso pessoal militar e os habitantes do Donbass precisam de uma força superior, da ajuda de Deus e da bênção de nossos santos", disse o Metropolita Vladimir de Donetsk, reforçando a conexão mística entre a religião e o embate bélico.
Críticas e controvérsias
No entanto, a ação da Igreja Ortodoxa também gerou controvérsias. Críticos acusam a instituição de romper com protocolos religiosos em prol do Kremlin, questionando a motivação por trás da veneração de Donskoy, que foi declarado santo em 1988, mas cujos restos foram redescobertos apenas agora.
"Após cinco anos de guerra, a liderança da Igreja em Moscou começou a buscar novas maneiras de mostrar seu apoio ao que o governo chama de ‘operação militar especial’", comentou Alexander Zanemonets, um sacerdote ortodoxo e historiador.
Por último, enquanto a guerra se arrasta, a relação entre a religião e a política na Rússia continua a ser um tema de intenso debate, refletindo a pressão do estado sobre instituições religiosas em tempos de conflito.
Fonte: www.defensenews.com







