Como a Europa Está Reduzindo a Dependência dos EUA e Transformando o Mercado de Defesa: O Que Você Precisa Saber

Cresce a Demanda por Capacidades Soberanas de Satélites na Europa

Governo e empresa privadas buscam maior controle sobre infraestrutura espacial após restrições dos EUA em zonas de conflito.

A demanda por capacidades soberanas de satélites na Europa vem aumentando, impulsionada pela necessidade dos governos de ter maior controle sobre suas infraestruturas espaciais. Esse movimento ganhou força após as restrições impostas pelos Estados Unidos sobre o acesso a satélites na Ucrânia e no Oriente Médio nos últimos dois anos, conforme destacaram executivos e formuladores de políticas em uma conferência do setor realizada em Paris.

Soberania no Espaço como Tema Central

O conceito de "soberania" foi um dos principais tópicos discutidos na World Space Business Week, que ocorreu entre 14 e 17 de setembro, e no Space Defense & Security Summit. Empresas dos EUA destacaram suas capacidades de construir satélites na Europa ou operar fora das regulamentações de controle de armamentos, enquanto companhias europeias enfatizaram a oferta de sistemas completos de satélites para clientes locais.

Noam Segal, CEO da ImageSat International, comentou sobre a crescente demanda por soberania no setor: "Todos os nossos clientes estão em busca disso. Os clientes de defesa podem encontrar si mesmos em situações geopolíticas nas quais um fornecedor não conseguirá atender."

Lições do Conflito na Ucrânia

O conflito na Ucrânia evidenciou a importância dos dados de satélite no campo de batalha moderno e a dependência das forças ocidentais em relação a fornecedores norte-americanos. Restrições ao acesso à Starlink na Ucrânia e a interrupção do compartilhamento de inteligência dos EUA com a Ucrânia em março de 2025 estão levando os países europeus a buscarem alternativas soberanas.

Guillaume de la Brosse, do comitê de política de defesa da Comissão Europeia, afirmou que a guerra mostrou como o espaço é crucial para a defesa, além de reforçar a necessidade de não depender de soluções nas quais não se tem controle. Ele enfatizou a importância de acelerar o desenvolvimento de capacidades espaciais soberanas na Europa.

Oportunidades com o Novo Espaço

A transição para o "Novo Espaço", que envolve uma indústria espacial mais privada e menos dominada por governos, está permitindo que os governos europeus estabeleçam soberania no espaço com orçamentos mais limitados. A previsão é que o número de satélites de inteligência e vigilância para fins de defesa aumente mais de quatro vezes até 2035, segundo a consultoria Novaspace.

Vincent Dedieu, da Sodern, destacou que essa nova realidade proporciona uma oportunidade única para países que ainda não possuem uma indústria espacial desenvolverem suas próprias capacidades soberanas.

Desafios na Cordenação de Esforços

Apesar do impulso pela soberania, ainda há um grande desafio em manter a cooperação internacional no espaço. A Comissão Europeia está promovendo esforços para evitar a "renacionalização" das políticas espaciais, incentivando estados membros a coordenar investimentos e recursos em conjunto.

O investimento da Alemanha em capacidades espaciais militares, estimado em 35 bilhões de euros até 2030, levantou preocupações sobre a possibilidade de a nação "voar sozinha". No entanto, Jean-Baptiste Paing, do diretório de armamentos da França, acredita que tal investimento deve ser visto como um modelo a ser seguido, e não como uma ameaça.

O Futuro das Capacidades Espaciais na Europa

Executivos comentaram sobre a importância de garantir o acesso soberano ao espaço, considerando também a escassez de slots para lançamentos. Vários deles expressaram otimismo sobre a entrada de novos players europeus no mercado de lançadores, o que pode aumentar as opções disponíveis.

Conforme as nações europeias olham para o futuro, a crescente demanda por satélites soberanos parece ser uma tendência que veio para ficar, moldando a forma como os governos e as indústrias abordam a segurança e a autonomia espacial.

Fonte: www.defensenews.com