Papa Leão XIV encerra visita a Paris com grande missa e mensagem de esperança
A viagem do pontífice atraiu milhares de fiéis e provocou discussões sobre a laicidade na França
Neste sábado (26), o papa Leão XIV concluiu sua marcante visita a Paris, onde foi recebido por cerca de 800.000 pessoas em uma grande missa antes de seguir para o santuário de Lourdes. Essa foi a primeira visita de um pontífice à capital francesa desde a vinda de Bento XVI em 2008, e o evento mobilizou uma quantidade impressionante de fiéis e gerações de jovens.
Massiva recepção na cidade
A recepção ao papa começou com uma calorosa recepção de 300.000 pessoas que o aguardavam nas ruas da cidade. Ele também se encontrou com 80.000 jovens em uma vigília no Stade de France. Montado em seu papamóvel, Leão XIV percorreu a famosa avenida Champs-Elysées, parando para abençoar bebês, enquanto o público vibrava, agitando bandeiras do Vaticano.
Virginie Courtot, uma das presentes, expressou seu entusiasmo: “O papa é a estrela! É o líder de que precisamos atualmente, especialmente após as crises que a Igreja enfrentou”.
O contexto da visita
A viagem ocorre em um momento crítico para a Igreja Católica na França, um país que se define como laico. Nos últimos cinco anos, os batismos de adolescentes e adultos aumentaram, mesmo diante da crescente secularização da sociedade. Em sua homilia, Leão XIV trouxe à tona a ideia de que a laicidade não deve excluir a religião do espaço público. Esse é um tema polêmico, especialmente com a ascensão de candidatos de extrema direita, como Marine Le Pen, que busca a proibição do uso do véu islâmico em espaços públicos.
Reflexões sobre a juventude
Sentada perto do altar, a aposentada Suzanne Grangé, de 62 anos, espera que o papa inspire os jovens a se comprometerem com a fé cristã, sem vergonha de sua religião. Durante sua mensagem, Leão XIV ressaltou a "sede de sentido e de verdade" que habita o coração de todos, encorajando a juventude a não se contentar com o materialismo e a busca por satisfações imediatas.
Momentos de alegria e protesto
As celebrações foram marcadas por momentos de alegria, com fiéis e voluntários se reunindo em grupos, tirando fotos e organizando piqueniques. No entanto, a organização do evento pediu que a associação feminista católica Magdala retirasse uma faixa com a frase "Felizes as que têm sede de justiça", que pedia uma maior inclusão das mulheres na Igreja.
A missa contou com a presença de várias figuras políticas, enquanto o presidente Emmanuel Macron, mesmo não comparecendo, expressou seu orgulho em receber o papa através das redes sociais.
Encontro com migrantes e mensagem de paz
Em um momento simbólico, Leão XIV visitou a Casa Bakhita, uma associação que ajuda migrantes, onde ouviu testemunhos de exilados do Afeganistão e da Nigéria. “É possível nos encontrarmos e convivermos com dignidade e paz”, destacou o papa.
Após a missa, Leão XIV seguiu para Lourdes, onde presidiu uma oração pedindo à Virgem Maria que conceda à França "governantes sábios e generosos" que possam enfrentar os desafios do país. Ele também se reunirá com vítimas de agressões sexuais na Igreja e fará um discurso sobre paz e a União Europeia em Metz na segunda-feira (28).
Fonte: www.folhape.com.br








