Cresce a Desinformação sobre Saúde nas Redes Sociais com o Avanço da Inteligência Artificial
Conselhos Regionais de Medicina alertam para os perigos de perfis falsos que distorcem informações médicas
A exploração da Internet e das redes sociais trouxe avanços significativos na forma como consumimos informações, mas também trouxe desafios cruciais, especialmente na área da saúde. Profissionais da medicina, como o dermatologista Sérgio Palma, coordenador da Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), denunciam o aumento de perfis que usam avatares digitais para imitar a autoridade de médicos reais.
A Ameaça dos Perfis Falsos
Segundo Palma, é comum encontrar perfis que, através de imagens de médicos verdadeiros, disseminam conteúdos educativos, mas sem qualquer responsabilidade real. “Esses perfis têm promovido desinformação sobre vacinas e medicamentos, utilizando até os nomes e números de registro de médicos autênticos”, explica o especialista.
Consequências para a Saúde Pública
A desinformação gerada por essas contas pode impactar severamente a saúde da população. “Quando pessoas vulneráveis caem nessas armadilhas, a tendência é que a saúde delas seja comprometida,” alerta Palma. O trabalho do Cremepe visa sensibilizar a população sobre essas práticas ilegais que devem ser denunciadas.
Esses perfis costumam ter o objetivo de gerar vendas de produtos não comprovados cientificamente, como suplementos e tratamentos milagrosos. Eles disfarçam suas intenções com uma aparência científica atrativa, buscando engajar o público.
Pesquisa Revela Desinformação Sofisticada
Uma pesquisa recente, realizada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), revelou um crescimento notável na disseminação de desinformação por perfis que se apresentam como profissionais de saúde. Liderado pelo professor Wallace Bottacin, o estudo analisou 2.000 vídeos no TikTok e Instagram, revelando que muitos não apresentavam informações científicas adequadas sobre tratamentos.
O Papel da Estética na Credibilidade
Bottacin aponta que o profissionalismo visual e a estética aprimorada dos vídeos podem ocultar a fragilidade do conteúdo. “O paciente tende a aceitar a mensagem sem senso crítico, pois a estética transmite uma sensação de autoridade,” explica.
A pesquisa mostrou que 18,8% apenas dos conteúdos de alta qualidade mencionaram limitações científicas, o que gera um risco significativo de auto-medicação e adesão a tratamentos sem comprovação.
O Perigo das Promessas Fáceis
À medida que as pessoas buscam soluções rápidas para problemas complexos, a facilidade de acesso à informação pode levar à desinformação. O psiquiatra Dennison Monteiro, da Universidade de Pernambuco, ressalta que o cérebro humano busca símbolos de credibilidade e, portanto, dedica atenção a mensagens que garantem soluções simples. “Essas promessas podem gerar frustrações profundas quando os resultados não se concretizam,” alerta.
Impacto no Atendimento Médico
Chaley Vaz, médico do Hospital Jayme da Fonte, observa que o impacto desses vídeos já é sentido no consultório. Pacientes frequentemente chegam com “pseudos-diagnósticos” baseados em informações encontradas nas redes sociais. Além disso, queixas como fadiga e problemas de sono estão entre as mais comuns.
Orientações para o Público
Os especialistas recomendam que, para evitar cair em armadilhas online, a população busque informações com profissionais devidamente qualificados, que possuam registro em Conselhos Regionais de Medicina. O acompanhamento de fontes confiáveis é fundamental para garantir uma abordagem segura em saúde.
Diante deste cenário, é essencial a conscientização sobre os riscos da desinformação e o papel ativo que cada um pode ter na busca por informações de qualidade.
Fonte: www.folhape.com.br







