Parceria entre EUA e Panamá se Expande com Foco em Segurança e Saúde
Aumento da presença militar norte-americana reflete renovada atenção à América Latina
A forte presença dos soldados norte-americanos no Panamá está se tornando cada vez mais visível. Uniformizados, a maioria em camuflagem, eles agora ostentam um detalhe importante: o emblema da bandeira dos Estados Unidos em seus ombros, ainda que de forma discreta. Essa mudança é um sinal claro do fortalecimento das relações entre os dois países, que vai além do treinamento militar e envolve iniciativas em áreas como a saúde.
Reforço na presença militar
Com os EUA voltando seu olhar para o Hemisfério Ocidental, uma escola de jungle training revitalizada é apenas uma das tantas iniciativas que refletem o aprofundamento da presença militar norte-americana no Panamá. Mais de 20 anos após a devolução das bases militares ao país, a parceria atual oferece uma nova perspectiva sobre o que isso significa na prática.
“Agora, o Hemisfério Ocidental é a prioridade”, comentou o coronel Jacob White, comandante adjunto do Grupo de Cooperação de Segurança Conjunto-Panamá (JSCG-P), em entrevista. “Queremos estar mais presentes aqui”, complementou.
Histórico de colaboração e desafios
Após a controversa invasão que depôs o ditador Manuel Noriega, as atividades conjuntas têm se diversificado. Com o foco renovado do Pentágono, os EUA buscam não apenas reforçar a segurança da região, mas também contrabalançar a influência crescente da China, que até então era vista como a principal ameaça.
Em abril de 2025, Washington e Cidade do Panamá firmaram um acordo para conter essa influência e proteger o Canal, dando início a uma série de novas operações conjuntas. A importância do Panamá, com seu estratégico canal e a passagem do Darién, é inegável.
Desafios contemporâneos e cooperação
Segundo Henry Ziemer, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, o Panamá sempre foi uma peça-chave para os EUA, especialmente em tempos de interrupções nas cadeias de suprimento globais. Cerca de 5% a 6% do comércio mundial passa pelo Canal, e a maior parte disso se relaciona com o comércio americano.
“O tópico da migração está intrinsecamente ligado ao Panamá”, disse Kevin Marino Cabrera, embaixador dos EUA no país. Ele alertou que a situação na região afeta diretamente as comunidades no território americano, uma conexão que se torna evidente quando se fala sobre as mais de 500 mil travessias de migrantes anualmente.
Apoio multifacetado
Além do treinamento militar, a parceria se estende a áreas de saúde, onde médicos e outros profissionais de saúde dos EUA colaboram com suas contrapartes panamenhas. Juntos, realizam diversas operações, desde cirurgias a serviços odontológicos, visando atender a necessidades locais.
As equipes de Assuntos Civis dos EUA, em grande número, identificam carências na infraestrutura civil. O trabalho em conjunto com as Forças Públicas Panamenhas, que não mantêm um exército regular, visa não apenas o fortalecimento militar, mas a construção de laços com a população.
Desafios futuros e responsabilidade
Enquanto a cooperação avança, surgem preocupações sobre a soberania panamenha. Apesar de a presença norte-americana ser visível, os líderes têm reafirmado que não há planos para a instalação permanente de bases militares. Durante o desdobramento das operações, o objetivo é sempre atuar “com e por meio dos panamenhos”, respeitando o Tratado de Neutralidade de 1977.
Assim, a nova fase desta parceria continua a se desenvolver, refletindo tanto o comprometimento dos EUA em garantir a segurança na região quanto as necessidades específicas do Panamá.
Fonte: www.defensenews.com








