Abstenção de Eleitores Acima de 70 Anos Cai no Primeiro Turno das Eleições de 2026
Movimento busca incentivar a participação dos idosos na política, que demonstraram maior engajamento nas últimas eleições.
A abstenção de eleitores com mais de 70 anos apresentou uma queda significativa de quase 10 pontos percentuais no primeiro turno das eleições de 2026. De acordo com um levantamento do Movimento Voto 70+, uma iniciativa apartidária que defende a participação política dos idosos, o índice de faltas caiu de 58,8% em 2022 para 49,1% neste ano.
O Contexto da Abstenção
Os dados compilados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, no geral, a abstenção em 2026 foi de 21,08%, resultando em 33 milhões de brasileiros habilitados que não compareceram às urnas. Para os eleitores acima de 70 anos, o voto é facultativo, assim como para analfabetos e jovens entre 16 e 18 anos. Importante destacar que os eleitores com mais de 80 anos têm prioridade nas filas das seções eleitorais.
Os números de comparecimento variam consideravelmente entre faixas etárias. Por exemplo:
- 70 a 74 anos: 68,77% compareceram.
- 75 a 79 anos: 52,23%.
- 80 a 84 anos: 37,12%.
- 85 a 89 anos: 24,30%.
- 90 a 94 anos: 13,46%.
- 95 a 99 anos: 4,34%.
Crescimento do Eleitorado Idoso
Além da redução na abstenção, o eleitorado acima de 70 anos cresceu, passando de 14,9 milhões em 2022 para 17,2 milhões em 2026. Se incluirmos os eleitores com mais de 60 anos, esse número chega a 36,8 milhões. Para Cléa Klouri, idealizadora do Movimento Voto 70+, esse aumento no comparecimento é um passo positivo, pois demonstra que o envelhecimento não está alinhado ao afastamento da vida política.
“A geração que ajudou a construir o país ainda tem muito a contribuir com as decisões sobre seu futuro", enfatiza Cléa.
Fatores que Influenciam a Abstenção
A pesquisadora Adriana de Queiroz, do Data8, conduziu uma pesquisa exploratória chamada Retratos do Voto 70+: descobertas sobre a abstenção eleitoral. O estudo identificou três perfis de eleitores que não compareceram ou estavam indecisos:
- Eleitores com "baixa autoestima política", que acreditam que seus votos não fazem diferença.
- Aqueles que consideram que o resultado da eleição não impactará suas vidas.
- Eleitores que desejam votar, mas enfrentam barreiras físicas, como filas e dependência de terceiros para se deslocar.
“Compreender essas diferenças é crucial para entender o porquê da alta abstenção em um grupo que cresce rapidamente”, destaca Adriana.
Perspectivas para o Segundo Turno
O Movimento Voto 70+ pretende continuar o debate sobre as barreiras que dificultam a votação entre os idosos, como a mobilidade reduzida e a falta de redes de apoio. Para o segundo turno, um incentivo adicional será dado: o voto poderá ser utilizado pelo INSS como prova de vida automática para aposentados e beneficiários de programas assistenciais, uma medida que se aplica mesmo para quem não votou no primeiro turno.
Campanha ‘Vovó Vota’
Além disso, uma nova iniciativa, chamada Vovó Vota, terá como objetivo integrar avós e netas durante as eleições, visando combater as dificuldades de mobilidade e o desestímulo familiar. Dados do Data8 indicam que 64% das mulheres acima de 70 anos não votaram em 2022, um percentual 10 pontos superior ao dos homens da mesma faixa etária. A campanha fornecerá um guia digital com orientações para facilitar o deslocamento e a organização da votação.
A participação dos idosos nas eleições é um tema cada vez mais relevante e merece atenção tanto da sociedade quanto das instituições responsáveis pela gestão eleitoral.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br








