Desmantelamento de Cartel: Operação Unha e Carne Investiga Lavagem de Dinheiro em Postos de Combustível no Rio
Polícia Federal avança em investigações que ligam facções criminosas ao setor de combustíveis.
A Polícia Federal deflagrou a oitava fase da Operação Unha e Carne, voltada para um grupo suspeito de lavar dinheiro e formar um cartel por meio de postos de combustíveis no Rio de Janeiro. A ação faz parte de um esforço mais amplo, que também inclui a Operação Carbono Oculto, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em setores da economia, como o de combustíveis.
Investigação Revela Conexões Criminosas
A ação policial revelou que as investigações se cruzam ao identificar a empresa ADM OIL Prestadora de Serviços. Esta empresa, com capital social de apenas R$ 10 mil, movimentou incríveis R$ 45 milhões. De acordo com os investigadores, a ADM OIL funcionava como uma espécie de intermediária financeira, recebendo valores dos postos e repassando-os para pessoas físicas e jurídicas ligadas ao esquema.
Um dos pontos críticos da investigação é a personagem Fernanda Rangel Pereira da Silva. Apesar de ter um salário modesto de R$ 2 mil como auxiliar de escritório, ela fez depósitos que somam R$ 169,4 milhões, conectando a empresa a um esquema vasto de lavagem de dinheiro. Parte desse montante foi direcionada para a Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda, já investigada por supostas ligações com o PCC.
Ligação com a Fintech BK Bank
Outro fator importante na operação é a fintech BK Bank, que, segundo as investigações, atua como um pilar financeiro do PCC. A apuração indica que Fernanda tinha uma conta na fintech que operava com “espelhamento”, complicando ainda mais o rastreamento dos recursos ilícitos.
Investigações apontam que a BK Bank pode ter facilitado a movimentação de cerca de R$ 17,7 bilhões, com transações consideradas atípicas, e estava ligada a uma rede de postos que movimentou mais de R$ 54 bilhões, mas declarou ao fisco apenas uma fração desse valor em tributos.
Implicações e Ações Finais
Os desdobramentos da Operação Unha e Carne incluem a prisão do deputado estadual eleito Marcio Canella e do ex-secretário de polícia Marcus Amim, ambos suspeitos de integrarem uma organização criminosa. O uso de estruturas ligadas à Defesa do Consumidor pelo crime organizado é um ponto destacado nos relatórios da PF.
A defesa de Marcus Amim não se manifestou sobre as acusações, e até o momento, não houve retorno das empresas investigadas, incluindo Fernanda Rangel, Tobras Distribuidora e BK Bank.
Com essas investigações, a Polícia Federal busca não apenas desmantelar a rede criminosa, mas também revelar a complexa interseção entre crime organizado e setores tradicionais da economia, como o de combustíveis.
Fonte: www.folhape.com.br








