USS Spruance bate record de permanência em alto-mar e levanta preocupações sobre manutenção
Desdobramentos da longa missão do destróier da Marinha dos EUA podem impactar a prontidão da frota.
O destróier USS Spruance, da classe Arleigh-Burke, estabeleceu um novo recorde de permanência em missão da Marinha dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial, alcançando 342 dias no mar, desde sua saída da Base Naval de San Diego, em 21 de novembro de 2025. A prolongada missão levanta questões sobre os reparos necessários após seu retorno.
Desafios da longo prazo na frota
Essa missão recorde extrapola em muito o padrão de sete meses normalmente esperado para os navios da Marinha baseados nos EUA. O cenário torna-se ainda mais crítico devido a uma crescente fila de manutenção e atrasos em estaleiros privados, enquanto líderes da Marinha alertam que operações estendidas podem criar uma pressão adicional por vários anos na frota.
Para as famílias que aguardam ansiosamente o retorno de seus entes queridos, essa incerteza se transforma em um fardo emocional pesado. Marie Bailey, cuja família tem um marinheiro a bordo do Spruance, afirmou à Military Times que a expectativa de retorno do navio tem sido adiada sucessivamente. "Ouvimos que eles devem voltar no próximo mês, mas já escutamos isso por meses", desabafou.
A realidade a bordo
A tensão não se limita apenas às famílias. Alguns marinheiros do Spruance sentem que suas vivências estão sendo ofuscadas pela atenção nacional voltada ao porta-aviões USS Abraham Lincoln. Dois deles, que pediram para permanecer anônimos, destacaram as dificuldades que enfrentam. "A vida a bordo de um destróier é apertada e desafiadora", comentou um marinheiro, enfatizando que as famílias esperam tanto quanto as tripulações de navios maiores.
Manutenção em risco
A situação do USS Spruance não é uma exceção; outros destróieres como USS John Finn, USS Mustin e USS Rafael Peralta também estão enfrentando extensões em suas datas de retorno, algumas chegando a mais de 14 meses de missão. Esses atrasos evidenciam as demandas enfrentadas pela frota de superfície da Marinha, que atualmente lida com um crescente backlog de manutenção.
De acordo com a Administração de Prestação de Contas do Governo (GAO), os estaleiros privados levaram, cumulativamente, quase 10.000 dias a mais do que o planejado para realizar reparos em destróieres entre os anos fiscais de 2015 e 2022. E até agosto de 2022, o backlog para manutenção de navios da Marinha chegou a impressionantes US$ 2,3 bilhões.
Uma recuperação a longo prazo
O Almirante Daryl Caudle, chefe de operações navais, alertou que as consequências das longas missões podem afetar substancialmente a programação de manutenção da frota por anos. "Estamos falando de centenas de manutenções e milhões de dólares", afirmou. Com a pressão para atender à demanda de reparos, o comandante do Estaleiro Naval de Norfolk, o Contra-Almirante Kavon Hakimzadeh, também expressou preocupações sobre as limitações de capacidade à medida que mais destróieres retornam.
Próximos passos
A alteração do cronograma de manutenção do Spruance reflete esses desafios. A programação inicial previa reparos de julho de 2026 até fevereiro de 2027, mas agora foi adiada. A Navy não comentou sobre estas questões antes da publicação desta matéria.
Enquanto a Marinha trabalha para equilibrar as exigências operacionais e os cuidados necessários para os navios de combate, o futuro da frota e a prontidão do USS Spruance continuarão a ser uma preocupação constante para a tripulação e suas famílias.
Fonte: www.defensenews.com







