Estudantes da UFF Promovem Protesto em Niterói Após Resultados do Primeiro Turno
Ato foi realizado em 5 de outubro e reuniu centenas de jovens em manifestação contra os possíveis impactos do governo Flávio Bolsonaro na educação.
Na noite de segunda-feira, 5 de outubro, a Universidade Federal Fluminense (UFF) se tornou palco de um protesto significativo, impulsionado pela decepção entre os alunos após o primeiro turno das eleições. Com o slogan “O abalo e o espanto precisam se transformar em movimento”, estudantes convocaram a população para se manifestar contra os resultados que deixaram Flávio Bolsonaro (PL) em vantagem sobre Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito com 45% dos votos.
Mobilização nas Ruas de Niterói
O chamado para a manifestação, publicado nas redes sociais pelo Centro Acadêmico Evaristo da Veiga e pela Associação Atlética Acadêmica Camillo Guerreiro, mobilizou não apenas alunos, mas também moradores das proximidades. Apesar da chuva, a passeata, que partiu da reitoria da UFF, no bairro de Icaraí, e seguiu até a Faculdade de Direito, no Ingá, reuniu centenas de participantes.
“Eu precisava fazer algo, é um sentimento coletivo de preocupação”, afirmou João Paulo Armando, um dos diretores do centro acadêmico. Os estudantes buscavam expressar suas angústias e alertar sobre os perigos que a eleição de Flávio Bolsonaro poderia trazer para a educação pública. Valentina Cruz, diretora do Centro Acadêmico de Direito, destacou que o candidato do PL tinha propostas que poderiam prejudicar as universidades, como a transferências delas para um ministério com menos verba.
Experiência de Cortes Anteriores
O protesto também foi motivado pela experiência recente dos alunos com o Ministério da Educação durante o governo de Jair Bolsonaro, quando a UFF enfrentou significativos cortes que afetaram a infraestrutura e as bolsas de pesquisa essenciais para estudantes de baixa renda. “Vimos como o governo anterior desvalorizou a educação pública. Temos medo de que isso se repita”, disse Simão Gabriel Adorno, membro da atlética do direito.
A possibilidade de um novo governo de Flávio Bolsonaro, que prometeu anistiar seu pai — Jair Bolsonaro, condenado por tentativas de desestabilizar a democracia — também gerou preocupações entre os universitários.
Ato Ganha Proporções Maior
A manifestação cresceu ao longo da semana, inspirando novos atos em outras cidades. Na quarta-feira, os estudantes do Rio de Janeiro tomaram as ruas do centro em defesa da democracia e da educação de qualidade, e iniciativas semelhantes ocorreram em Brasília e outros locais do país. A mobilização ressaltou a urgência da defesa de direitos civis em um contexto político tenso.
Educação e Ativismo Estudantil
Estudantes como Isabela Casalini, de 21 anos, relataram um forte sentimento de revolta diante da situação política atual, enfatizando que se sentiram motivados a continuar se manifestando. “O ato do dia 5 foi apenas o começo. Vamos nos posicionar e lutar pelo que acreditamos”, disse.
A historiadora Carolina Barreto, da UFF, ressaltou que os estudantes frequentemente desempenham um papel crucial em momentos de mudança histórica no Brasil, lembrando suas contribuições em movimentos anteriores. “A mobilização atual é mais um capítulo dessa resistência histórica”, concluiu.
A mobilização dos alunos da UFF serve como um lembrete poderoso do papel do ativismo estudantil na defesa da educação pública e da democracia no Brasil.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br







