Exoneração do Secretário de Defesa Social: Entenda a Crise que Mobiliza a Polícia em Pernambuco

Em um movimento conjunto que sinaliza uma crise na segurança pública do Estado, a Associação dos Delegados de Polícia de Pernambuco (ADEPPE) e o Sindicato dos Policiais Civis (SINPOL-PE) formalizaram, nesta quarta-feira, um pedido de afastamento imediato de Alessandro Carvalho, titular da Secretaria de Defesa Social (SDS). O documento foi entregue no Palácio do Campo das Princesas e endereçado diretamente à governadora.

O Alvo das Críticas: Suposta Instrumentalização Política

O estopim para o ofício foram reportagens da imprensa nacional que trouxeram à tona detalhes sobre a atuação da Polícia Civil sob a atual gestão. De acordo com as entidades, os fatos revelados indicam uma possível e grave violação à ordem jurídica e democrática.

A preocupação central reside na admissão pública da própria SDS sobre a existência de ordens expressas para operações policiais em pleno ano eleitoral. Para os representantes dos policiais, essa conduta configura:

  • Desvio de finalidade: Quando o aparato estatal é usado para fins diferentes do interesse público.
  • Afronta aos princípios constitucionais: Notadamente os pilares da legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa que devem reger o Estado.

2. A Perda da Legitimidade no Comando

No texto protocolado, a ADEPPE e o SINPOL-PE são enfáticos ao afirmar que o secretário Alessandro Carvalho não possui mais as condições necessárias para chefiar as forças de segurança. A tese defendida é que a interferência política contamina a hierarquia e a confiança institucional.

As entidades argumentam que a exoneração não é apenas um ato administrativo, mas uma medida imprescindível para:

  • Garantir que as apurações dos fatos ocorram de maneira isenta e sem pressões internas.
  • Resguardar a autonomia investigativa dos delegados e agentes, impedindo que a estrutura policial seja convertida em ferramenta de vigilância ou perseguição.

Impacto no Estado Democrático de Direito

O ofício destaca que a permanência do secretário coloca em risco a imagem da Polícia Civil perante a sociedade. As instituições reforçam que a polícia é um órgão de Estado, e não de governo.

“O uso da estrutura policial para fins políticos é absolutamente incompatível com o regime democrático. A Polícia existe para investigar crimes, não para vigiar pessoas ou atuar por conveniência ou orientação política”, destaca um trecho crucial do documento.

Conclusão e Alerta das Categorias

Ao final do documento, as representações de classe reafirmam o compromisso dos policiais civis com uma atuação técnica, imparcial e independente. O texto encerra com um tom de alerta às autoridades estaduais, pontuando que a substituição da lei pela “arbitrariedade” representa um risco severo à saúde da democracia em Pernambuco.