A política pernambucana registrou um momento decisivo nesta semana com o desfecho da votação sobre o impeachment na Câmara do Recife. Em uma sessão marcada por forte mobilização popular e embates políticos, a base de apoio ao prefeito João Campos (PSB) conseguiu barrar a abertura do processo de impedimento.
O resultado, consolidado por 25 votos contra a proposta e apenas nove a favor, não apenas garantiu a permanência do gestor, mas também foi transformado em uma vitória política estratégica pelos aliados do governo municipal.
O cenário observado na Casa de José Mariano agora reverbera diretamente na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
Analistas e parlamentares avaliam que a contundente derrota da oposição no Recife serve como um “exemplo a não ser seguido” pelos deputados estaduais, que também articulam um pedido de impeachment, desta vez contra a governadora Raquel Lyra (PSD).
A movimentação na capital impôs uma postura de cautela aos oposicionistas na esfera estadual, que temem sofrer um revés semelhante.
O que sabemos sobre o Impeachment na Câmara do Recife
A votação que selou o destino do pedido de impeachment na Câmara do Recife ocorreu na última terça-feira (03/02). O placar final foi de 25 votos contrários à abertura do processo, nove votos favoráveis, duas ausências e uma abstenção.
Com essa maioria absoluta, os parlamentares aliados ao prefeito João Campos conseguiram neutralizar uma pauta que, inicialmente, trazia potencial de desgaste para a imagem da gestão.
A sessão foi caracterizada por um clima de grande tensão. As galerias da Casa de José Mariano foram ocupadas por grupos de apoiadores do prefeito, que utilizaram cartazes e faixas para exaltar o gestor, chamando-o de “melhor prefeito do Brasil” e “futuro governador”. Em contrapartida, os vereadores da oposição enfrentaram um ambiente hostil, sendo alvo de xingamentos e ironias durante seus discursos.
Logo após a confirmação da vitória no plenário, a base governista iniciou uma ofensiva digital. Através das redes sociais, aliados passaram a destacar as entregas da prefeitura e a atacar diretamente os parlamentares que defenderam a perda do mandato, consolidando a narrativa de uma gestão eficiente frente a uma oposição fragilizada.
Reflexos na Alepe e o recuo da oposição estadual
O desfecho do impeachment na Câmara do Recife teve impacto imediato na Assembleia Legislativa de Pernambuco. O deputado Romero Albuquerque (UB) havia oficializado um pedido de impeachment contra a governadora Raquel Lyra no dia 19 de janeiro, durante o recesso parlamentar.
No entanto, com o retorno dos trabalhos legislativos na segunda-feira e a observação do que ocorreu na capital, a proposta perdeu fôlego.
Na Casa de Joaquim Nabuco (Alepe), a situação da oposição assemelha-se à da Câmara Municipal: os adversários do governo são minoria. Embora a governadora Raquel Lyra não detenha o controle das presidências das principais comissões da Casa, ela conta atualmente com uma maioria em plenário considerada fiel.
Diante do risco de serem “achincalhados” ou sofrerem uma derrota vexatória como a ocorrida com a oposição recifense, os deputados estaduais optaram por “colocar as barbas de molho” e aguardar um momento mais oportuno.
Movimentações políticas e apoios voláteis
Um detalhe relevante notado durante a sessão sobre o impeachment na Câmara do Recife foi o comportamento dos vereadores Rubem Rodrigues (PSB) e Flávia de Nadegi (PV). Ambos haviam anunciado apoio formal à governadora Raquel Lyra em dezembro do ano passado.
No entanto, no momento crucial da votação contra o prefeito João Campos, eles optaram pela neutralidade. Embora estivessem presentes na Casa e tivessem registrado presença, não registraram voto na proposta de impeachment.
Enquanto a batalha jurídica e política ocorre nos parlamentos, a disputa de narrativas segue nas ruas. A governadora Raquel Lyra tem agenda prevista para a entrega da segunda unidade das 250 creches prometidas em sua gestão, localizada em Caruaru. Simultaneamente, o prefeito João Campos mantém sua agenda de inaugurações, com uma nova unidade de ensino na Ilha de Joaneiro, em Campo Grande.
Conclusão sobre o Impeachment na Câmara do Recife
O encerramento do processo de impeachment na Câmara do Recife marca uma vitória política significativa para o grupo liderado por João Campos. Ao conseguir uma votação expressiva e transformar a sessão em um ato de apoio popular, a base do prefeito enviou uma mensagem clara de força política.
Para a oposição na Alepe, o episódio serviu como um teste de realidade sobre os riscos de pautar processos de impedimento sem uma base parlamentar sólida. O “achincalhamento” sofrido pelos vereadores de oposição no Recife tornou-se um alerta para os deputados estaduais, que agora recalculam suas estratégias diante da governadora Raquel Lyra.
FAQ – Perguntas Frequentes
O que aconteceu exatamente na votação do impeachment na Câmara do Recife?
Os vereadores votaram a abertura de um processo de impeachment contra o prefeito João Campos, que foi rejeitado por 25 votos contra, 9 a favor, duas ausências e uma abstenção.
Quem são os principais envolvidos citados no caso?
O prefeito do Recife, João Campos (PSB); a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD); o deputado Romero Albuquerque (UB), autor do pedido na Alepe; e os vereadores Rubem Rodrigues (PSB) e Flávia de Nadegi (PV).
Por que o resultado no Recife afeta a Alepe?
Porque a oposição na Alepe também é minoria e teme sofrer uma derrota política semelhante à ocorrida no Recife ao tentar levar adiante o pedido de impeachment contra Raquel Lyra.
Onde ocorreu a votação e como estava o ambiente?
A votação ocorreu na Câmara de Vereadores do Recife (Casa de José Mariano). O ambiente estava tumultuado, com as galerias lotadas por apoiadores do prefeito que criticavam a oposição.
Qual foi o comportamento dos vereadores que apoiam a governadora na Câmara Municipal?
Rubem Rodrigues e Flávia de Nadegi, que apoiam Raquel Lyra, não votaram na proposta de impeachment de João Campos, apesar de terem marcado presença na sessão.
Quando o pedido de impeachment contra Raquel Lyra foi protocolado?
O pedido foi oficializado pelo deputado Romero Albuquerque no dia 19 de janeiro de 2026, durante o recesso parlamentar.

Rafael Monteiro é jornalista especializado em negócios e inovação, com 15+ anos de experiência em cobertura econômica, empreendedorismo e mercado corporativo. Atuou em redações de portais e revistas de finanças, assessorias de imprensa e projetos de conteúdo para empresas de médio e grande porte, acompanhando de perto temas como gestão, marketing, finanças, tecnologia aplicada aos negócios e ambiente regulatório.









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