Fachada do Congresso do Peru em Lima durante o processo de destituição de José Jerí.

Destituição de José Jerí: Congresso do Peru aprova vacância presidencial por incapacidade moral

O cenário político na América Latina sofreu uma nova reviravolta nesta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026. O Congresso do Peru aprovou a destituição de José Jerí, que ocupava a presidência do país. A decisão foi tomada após uma sessão intensa que culminou na declaração de “incapacidade moral permanente” do agora ex-mandatário.

Com 92 votos a favor, o Legislativo peruano decidiu pelo afastamento imediato de Jerí, baseando-se em denúncias de corrupção e tráfico de influência que ganharam força nas últimas semanas.

O processo de vacância, previsto na Constituição peruana, foi acelerado após a divulgação de áudios que comprometeriam a gestão do Executivo.

O que sabemos sobre a destituição de José Jerí

A destituição de José Jerí não foi um evento isolado, mas o ápice de uma crise política que se arrastava desde o início de seu mandato. O pedido de vacância foi protocolado por uma coalizão de partidos de oposição, que acusaram o presidente de obstruir investigações do Ministério Público.

De acordo com o documento lido durante a sessão parlamentar, Jerí teria utilizado seu cargo para favorecer empresas em contratos de infraestrutura no interior do país. Dos 130 congressistas, 92 votaram pela saída, superando com folga o mínimo de 87 votos necessários para a cassação do mandato. Houve ainda 25 votos contra e 13 abstenções, refletindo a fragmentação do apoio político que o governo possuía.

Detalhes das acusações e a votação no Congresso

Os argumentos centrais para a destituição de José Jerí focaram na falta de transparência em relação a reuniões fora da agenda oficial. A fonte indica que o estopim foi o depoimento de um colaborador premiado, que entregou provas de repasses financeiros ilícitos destinados a campanhas políticas.

Durante sua defesa, que durou cerca de 60 minutos antes da votação, José Jerí negou todas as irregularidades. Ele afirmou ser vítima de uma “perseguição política” arquitetada por grupos que não aceitaram o resultado das urnas. No entanto, a defesa técnica não foi suficiente para demover a maioria dos parlamentares, que consideraram as provas apresentadas pela comissão de fiscalização como contundentes.

A sucessão presidencial e a posse de Dina Boluarte

Com a confirmação da destituição de José Jerí, a linha de sucessão constitucional foi imediatamente acionada. A vice-presidente, Dina Boluarte, foi convocada pelo Congresso para prestar juramento ainda na noite de terça-feira.

Em seu primeiro pronunciamento como presidente empossada, Boluarte pediu uma “trégua política” e prometeu formar um gabinete de união nacional. Ela enfatizou a necessidade de combater a corrupção estrutural e garantiu que colaborará plenamente com as investigações que levaram à queda de Jerí. A nova mandatária terá o desafio de governar até o final do período previsto para o atual mandato, em julho de 2026.

Repercussão internacional e clima nas ruas de Lima

A notícia sobre a destituição de José Jerí gerou reações imediatas em organismos internacionais e países vizinhos. A Organização dos Estados Americanos (OEA) emitiu uma nota breve afirmando que acompanha a situação com atenção, reforçando a importância da preservação da ordem democrática e do devido processo legal.

Nas ruas de Lima, a população se dividiu. Grupos de manifestantes se reuniram na Praça San Martín para celebrar a decisão do Congresso, enquanto apoiadores de Jerí entraram em confronto com a polícia nas proximidades do Palácio de Governo. As forças de segurança foram mobilizadas para evitar escaladas de violência no centro histórico da capital peruana.

Próximos passos judiciais para o ex-presidente

Após a destituição de José Jerí, o ex-líder perde a imunidade presidencial, o que permite que o Ministério Público avance com pedidos de medidas cautelares. A fonte detalha que já existe um pedido de impedimento de saída do país protocolado pelos procuradores, visando garantir que Jerí responda aos processos de corrupção em solo peruano.

As investigações agora entram em uma fase ostensiva, onde documentos apreendidos na residência particular de Jerí e no Palácio de Governo serão analisados para identificar outros possíveis envolvidos no esquema de tráfico de influência mencionado durante o julgamento político.

O cenário político após a destituição de José Jerí

A instabilidade política no Peru ganha um novo capítulo com este desfecho. Esta é a terceira vez em menos de seis anos que um presidente peruano é afastado pelo Legislativo sob a cláusula de “incapacidade moral”. Analistas políticos citados na fonte destacam que a fragilidade das coalizões de governo torna o Executivo vulnerável a maiorias parlamentares hostis.

A destituição de José Jerí encerra um período de paralisia administrativa, mas abre caminho para um governo de transição que precisará de amplo diálogo com o Congresso para aprovar reformas econômicas urgentes. A expectativa agora gira em torno da nomeação do novo Conselho de Ministros por Dina Boluarte.

Por que o Congresso aprovou a destituição de José Jerí?

O afastamento ocorreu sob a alegação de “incapacidade moral permanente”, motivada por denúncias de corrupção, tráfico de influência e obstrução de justiça em contratos de infraestrutura.

Qual foi o placar da votação no Legislativo peruano?

A destituição foi aprovada com 92 votos a favor, 25 votos contra e 13 abstenções, superando o mínimo de 87 votos exigidos pela lei.

Quem assume a presidência do Peru agora?

A vice-presidente Dina Boluarte assumiu o cargo imediatamente após o juramento constitucional realizado no Congresso.

O que disse José Jerí em sua defesa?

Jerí negou as acusações de corrupção durante seu discurso de 60 minutos, afirmando ser alvo de uma perseguição política por parte da oposição parlamentar.

O ex-presidente pode sair do país?

O Ministério Público já protocolou um pedido de impedimento de saída do país para garantir que José Jerí responda às investigações judiciais sem imunidade.

Qual o prazo do mandato da nova presidente?

Dina Boluarte deve completar o mandato atual, que se estende até julho de 2026, conforme as regras de sucessão do país.