Artesanato em Barro de Pernambuco: Tradição e Inovação
Dois polos de criatividade ressaltam a riqueza cultural e econômica do estado
Tracunhaém e Alto do Moura, em Caruaru, estão se destacando como importantes centros de artesanato em barro em Pernambuco, unindo tradição e inovação em suas produções locais.
Herança e identidade no barro de Tracunhaém
Em Tracunhaém, a arte em barro é uma herança que se estende por séculos. Atualmente, cerca de 400 artesãos cultivam essa tradição, que tem raízes que remontam aos povos indígenas tupis, misturadas com técnicas europeias herdadas no período colonial. A cidade se diferencia pela singularidade de sua produção.
Desde a década de 1940, Tracunhaém passou a integrar novas formas de expressão, especialmente com a produção figurativa. Nos anos 1960, a arte santeira ganhou notoriedade, elevando o reconhecimento da cidade. Essa tradição se reinventa por meio das plataformas digitais, facilitando o acesso a novos mercados e mostrando que o barro, mesmo com sua ancestralidade, está em constante diálogo com o presente.
O Alto do Moura e a influência de Mestre Vitalino
Em Caruaru, o Alto do Moura ganhou destaque mundial através das obras de Mestre Vitalino, que transformou peças utilitárias em representações artísticas do cotidiano nordestino, com detalhes impressionantes e grande expressão. A nova geração, representada por Katieá Vitalino, bisneta do mestre, busca valorizar essa arte. “Queremos que as pessoas reconheçam a importância deste legado e que a juventude perceba que é possível viver com dignidade através da arte", afirma.
O Alto do Moura abriga dezenas de ateliês que retratam festas religiosas, cenas do dia a dia e outros aspectos da cultura local. O Coletivo Mulheres de Argila, por exemplo, traz uma abordagem inovadora ao utilizar resíduos da indústria têxtil em suas criações, mesclando sustentabilidade e identidade cultural.
Riquezas de Pernambuco em destaque
O artesanato de barro de Caruaru e Tracunhaém está em evidência em um episódio da série “Riquezas de Pernambuco”, do Sebrae/PE. A série valoriza as cadeias produtivas que contribuem para o desenvolvimento econômico e social dessas regiões, destacando o impacto do saber-fazer local na vida das comunidades.
Indicação Geográfica: um passo para o reconhecimento
Além de proporcionar emprego e renda, o artesanato de barro nos dois municípios está em processo para obter a Indicação Geográfica (IG) pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), com pedidos previstos para serem formalizados no primeiro semestre de 2026. Essa certificação é vista como uma forma de reposicionar as histórias dos territórios, não apenas culturalmente, mas também economicamente.
“O reconhecimento não é só um selo, é dar nome e sobrenome ao nosso trabalho. A Indicação Geográfica fortalece a ideia de que não produzimos isoladamente, mas construímos juntos”, explica Marcos Torres, do ateliê Bonecos de Pilão.
A certificação deverá valorizar ainda mais os produtos, aumentar a competitividade e abrir novos mercados, até internacionais. Esse reconhecimento simboliza a legitimação de histórias passadas de geração em geração, mostrando que, em Tracunhaém e no Alto do Moura, o barro é mais do que matéria-prima — é memória, sustento e um futuro promissor.
Fonte: blogdoneu.com.br







