Ocupação da Reitoria da USP: Estudantes Cobram Diálogo e Melhoria nas Condições
Demandas incluem aumento do apoio à permanência e melhorias em moradias e restaurantes universitários.
Na última sexta-feira, 8 de setembro, estudantes da Universidade de São Paulo (USP) mantiveram a ocupação da reitoria da instituição, exigindo a reabertura das negociações com o reitor Aluísio Augusto Cotrim Segurado. A mobilização começou na quinta-feira, 7, após a reitoria encerrar unilateralmente um diálogo que, segundo os alunos, não atendeu a suas reivindicações.
Principais Demandas dos Estudantes
Entre as principais solicitações, destacam-se o aumento no valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), melhorias nas condições das moradias estudantis e a qualidade dos alimentos nos bandejões.
Um comunicado do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP destaca que a "extrema precarização das condições de inclusão e permanência enfrentadas na universidade" foi o que motivou a ocupação. Segundo os estudantes, o Conjunto Residencial da USP (CRUSP) enfrenta sérios problemas, como a falta de água e a presença de mofo nos apartamentos.
Condições Alimentares Preocupantes
As queixas não param por aí. Os alunos relatam situações graves nos bandejões, como a oferta de alimentos estragados e refeições com larvas. Um membro do DCE, Guilherme Farpa, reforçou a insatisfação ao mencionar que a proposta do reitor de um aumento de R$ 27 no auxílio foi considerada insuficiente, especialmente quando o valor integral do PAPFE é de R$ 885 e o parcial, de R$ 320.
Orçamento da USP e Ineficiência
Os estudantes também questionam a alocação de recursos da universidade. Com um orçamento estimado em R$ 9 bilhões para 2026, eles se perguntam como há verba para bonificações de R$ 240 milhões para professores, mas não para atender às suas necessidades básicas.
A ocupação, segundo os alunos, só será encerrada quando houver a disposição da reitoria para reabrir as conversas. "Nós queremos ser ouvidos. O estudante vive a universidade de uma forma muito diferente e precisa que suas questões sejam tratadas", afirmou Felipe, estudante de Ciências Moleculares e membro do DCE, que optou por não revelar seu sobrenome.
A Resposta da Reitoria
Em resposta, a reitoria da USP lamentou a "escalada de violência" que resultou na ocupação, mencionando danos ao patrimônio público. Em nota, a administração afirmou que tomou medidas cabíveis e acionou forças de segurança para evitar a ocupação de outros espaços e minimizar novos danos.
Antes da ocupação, no dia 5 de setembro, a reitoria divulgou um comunicado destacando os avanços nas negociações, mencionando que o bem-estar da comunidade acadêmica é uma prioridade e que já havia ocorrido diálogo com estudantes.
Com a situação tensa, a expectativa é que o diálogo entre estudantes e a administração da USP possa ser restabelecido, visando soluções para as demandas apresentadas.
Fonte: www.folhape.com.br






