Flávio Bolsonaro propõe flexibilização da jornada de trabalho em meio a debates sobre a escala 6×1
Senador sugere pagamento por hora trabalhada como alternativa aos projetos que buscam extinguir a jornada atual.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou, nesta terça-feira (19), uma nova proposta para as discussões sobre a jornada de trabalho de seis dias com um de descanso, conhecida como 6×1. Em reunião com colegas do PL em Brasília, Bolsonaro defendeu a flexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), permitindo que os trabalhadores possam ser pagos por hora de trabalho, ao invés de ter uma jornada fixa.
Proposta visa modernizar a legislação
Durante o encontro, o senador enfatizou a necessidade de adaptar a legislação trabalhista às mudanças trazidas pelos avanços tecnológicos, enquanto mantém os direitos dos trabalhadores. Segundo ele, a proposta garantiria direitos como décimo terceiro, FGTS e férias, proporcionais às horas trabalhadas.
“A sugestão é que o trabalho seja remunerado por hora, garantindo os direitos trabalhistas, de acordo com a carga horária definida pelo próprio trabalhador”, explicou Bolsonaro.
O contexto legislativo
Essa proposta surge em meio à tramitação de um projeto do governo federal que busca acabar com a escala 6×1. Em abril, o Executivo apresentou uma proposta para reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, garantindo dois dias de descanso remunerado. Embora a proposta tenha apoio de entidades sindicais, também enfrenta resistência de setores empresariais.
Uma pesquisa recente indicou que 73% da população brasileira apoia o fim da escala 6×1, desde que o salário não seja reduzido.
Críticas à proposta do governo
Bolsonaro criticou a iniciativa do governo, considerando-a eleitoreira e ineficaz. “Essa abordagem não vai resolver os problemas de produtividade e qualidade de vida, podendo até gerar desemprego em massa”, alertou o senador. Para ele, a possibilidade de escolha no número de horas a serem trabalhadas beneficiaria principalmente as mulheres, que muitas vezes enfrentam dificuldades em equilibrar trabalho e responsabilidades familiares.
Uma visão diferente
O governo federal, por sua vez, vê o fim da escala 6×1 como uma prioridade para promover igualdade no mercado de trabalho. A secretária nacional de Articulação do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, destacou que a mudança pode facilitar a divisão de tarefas domésticas, permitindo que homens e mulheres compartilhem melhor as responsabilidades.
Dados do IBGE mostram que as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos, enquanto os homens dedicam apenas 11,7 horas. Essa diferença é ainda mais significativa entre mulheres pretas e pardas, que, em média, realizam 1,6 horas a mais de trabalho não remunerado.
Com essas questões em pauta, o debate sobre a jornada de trabalho no Brasil continua, refletindo as necessidades de um mercado em transformação.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br








