Aliança dos Povos Tradicionais é Formada em Defesa da Mata Atlântica
Iniciativa surgiu no Dia Nacional da Mata Atlântica, em São Paulo, para proteger um dos biomas mais ameaçados do Brasil.
Representantes de várias comunidades locais se reuniram na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), em 27 de setembro, para lançar a Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica. O evento, que coincidiu com o Dia Nacional da Mata Atlântica, busca unir forças para defender esse bioma, que é um dos mais ameaçados do país.
Uma voz unificada pela preservação
Composta por povos indígenas, caiçaras, quilombolas, caboclos, marisqueiras, grupos de terreiro e pescadores artesanais, a aliança visa lutar pelos direitos territoriais das comunidades que habitam a região. Um manifesto lido durante o encontro destaca: "Somos guardiões de saberes ancestrais que nos permitem cuidar de nossa mãe natureza, suas florestas, rios, lagoas e mares."
Ivanildes Kerexu, coordenadora da Comissão Guarani Yvyrupa e residente da Aldeia Rio Bonito em Ubatuba (SP), destacou em entrevista que a aliança é uma tentativa de fortalecer a luta por esses territórios. "Precisamos dessa Aliança para garantir políticas públicas e, claro, a preservação ambiental," afirmou.
Um território espiritual
Ivanildes também elucidou o profundo significado da Mata Atlântica para os povos indígenas, especialmente para o povo Guarani, que a vê como uma "terra sem mal". “Nossa crença é de que essa região possui uma espiritualidade muito forte”, completou.
A deputada federal Sonia Guajajara (PSOL-SP), ex-ministra dos Povos Indígenas, esteve presente no evento e comentou a relevância do movimento. Ela afirmou que a voz dos povos tradicionais é muitas vezes incompreendida pelas autoridades e destacou a necessidade de se fazer ouvir para garantir os direitos e a preservação do meio ambiente.
Desafios e preocupações
Durante seu discurso, Guajajara também alertou sobre a ameaça que a exploração de terras raras e minerais críticos representa, apontando que as consequências para os povos podem ser semelhantes às da exploração do petróleo. "Esse fórum é essencial em um momento em que mais da metade da Mata Atlântica já se perdeu," ressaltou.
Protegendo um berço de biodiversidade
A Aliança se estabelece como uma rede de proteção da Mata Atlântica, um bioma crucial para a história e biodiversidade do Brasil. Atualmente, apenas 12,4% de sua vegetação original permanece, e a região continua sendo ameaçada por grandes empreendimentos e turismo exploratório.
José Wellington Fontes Nascimento, conhecido como Wellington Quilombola e coordenador do Movimento Quilombola de Sergipe, enfatizou a necessidade de mudança nas políticas para garantir a boa convivência entre comunidades tradicionais e outras populações. "Vamos lutar para que essas vozes sejam ouvidas," afirmou.
Com a proposta de dar visibilidade ao papel crucial das comunidades no manejo sustentável e na conservação ambiental, a Aliança também busca engajar as autoridades para promover mudanças que impeçam a exploração predatória da Mata Atlântica.
Esse movimento é um importante passo rumo à preservação não apenas do bioma, mas da cultura e do modo de vida de milhares de pessoas que dele dependem.
Fonte: www.folhape.com.br








