Surge de Empresas Mineradoras no Mercado dos EUA Foca em Múnus para Defesa
Empresas buscam se consolidar como fornecedoras de minerais estratégicos para a indústria de defesa norte-americana.
Em 2023, o número de empresas mineradoras em busca de listagens na bolsa dos Estados Unidos cresceu significativamente, destacando-se a intenção de atender à demanda por minerais críticos voltados para a defesa. Até agora, pelo menos 18 companhias, a maioria canadense e australiana, mas também algumas startups dos EUA, já completaram ou estão em processo de listagem. Esse aumento contrasta com os apenas três registros em 2022.
Mudança no Discurso Empresarial
Essas empresas variam em valor de mercado, de aproximadamente US$ 25 milhões a US$ 7,5 bilhões. O foco agora está em promover minerais estratégicos como antimoniais, terras raras, tungstênio e urânio, todos considerados essenciais pelo Pentágono e utilizados em sistemas como jatos de combate e mísseis. Os recentes documentos apresentados pelas empresas refletem uma mudança no discurso, que antes abordava principalmente fundamentos de oferta e demanda, agora se voltando para aplicações defensivas.
O CEO da Guardian Metal Resources, Oliver Friesen, mencionou que a empresa visa atender à demanda do Exército dos EUA por tungstênio, projetando um consumo anual entre 2.000 e 3.000 toneladas métricas. A Guardian já recebeu US$ 6,2 milhões do Pentágono e busca um financiamento adicional que pode ultrapassar os US$ 100 milhões.
Demanda por Antimônio e Terras Raras
A United States Antimony, por sua vez, garantiu um contrato de US$ 245 milhões com a Agência de Logística de Defesa para fornecer antimônio, um componente vital em munições. Desenvolvedores de terras raras também estão destacando o uso defensivo de seus produtos. A REalloy Inc, por exemplo, identificou que seu projeto contém disprósio e térbio, utilizados em ímãs para sistemas avançados de armamento.
Embora os valores levantados até agora sejam modestos — a Guardian arrecadou US$ 68,3 milhões, a Rare Earth Americas US$ 63,3 milhões e a Atlas Critical Minerals cerca de US$ 11 milhões —, o acesso a financiamentos governamentais sugere que essas listagens buscam muito mais do que apenas capital inicial.
Investimentos Direcionados para a Defesa
Empresas como Lithium Americas e Trilogy Metals estão se aproveitando de financiamentos ligados à defesa dos EUA por meio de participação acionária e financiamento de projetos. Essa movimentação faz parte do esforço do governo em garantir o fornecimento de minerais essenciais, especialmente após crises recentes que demonstraram a dependência dos EUA em relação à produção e processamento na China.
A situação se tornou mais crítica após o país asiático impor controles de exportação sobre antimoniais, levantando preocupações sobre as cadeias de fornecimento da defesa americana. Com um banimento de exportações de tungstênio em vigor a partir de 2025, os EUA começaram a testar refinarias de pequeno porte para minerais críticos, buscando garantir a auto-suficiência.
O Mercado Responde ao Empenho Nacional
O capital privado também está respondendo a essa demanda. O JPMorgan, por exemplo, anunciou em outubro a possibilidade de investir até US$ 10 bilhões em setores vinculados à segurança econômica nacional, incluindo minerais críticos.
Além disso, o ex-presidente Donald Trump lançou o “Project Vault”, uma iniciativa de estoque de minerais estratégicos. O governo dos EUA também adquiriu participações em empresas mineradoras como MP Materials e USA Rare Earth, oferecendo não apenas capital, mas acesso a contratos e subsídios vinculados à defesa.
Porém, os investidores permanecem cautelosos. Apesar do crescimento do dinheiro direcionado à exploração mineral voltada para a defesa, muitos consideram que ainda há um caráter especulativo nesse mercado. "Apostar que conseguiremos quebrar o monopólio da China requer tempo e investimento", ressalta Rick Werner, co-presidente da prática de mercadologia de capitais na Haynes Boone.
O futuro das cadeias de fornecimento de minerais críticos nos EUA promete ser repleto de desafios e oportunidades.
Fonte: www.defensenews.com








