Salários Crescentes: Como Eles Reduzem a Pobreza em 22 Regiões Metropolitanas do Brasil

Taxa de Pobreza nas Regiões Metropolitanas do Brasil Chega a 18,4%, o Menor Registro da História

Dados de 2025 mostram que mais de 10 milhões de pessoas conseguiram sair da pobreza, apesar da persistente desigualdade nas regiões metropolitanas.

Em 2025, a taxa de pobreza nas 22 metrópoles brasileiras caiu para 18,4%, marcando o menor índice desde 2012. Este dado, publicado no boletim "Desigualdade nas Metrópoles", reflete a realidade de mais de 10 milhões de pessoas que deixaram a condição de pobreza entre 2021 e 2025.

Contexto da Redução da Pobreza

O estudo, elaborado pelo Observatório das Metrópoles em parceria com a Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), indica que, embora a redução na taxa seja significativa, a pobreza ainda é alarmantemente alta em regiões metropolitanas.

Marcelo Ribeiro, economista e professor da UFRJ, enfatiza que essa melhoria está relacionada ao aumento da remuneração do trabalho e à criação de novas oportunidades de emprego. Segundo ele, a elevação do nível de renda dos mais pobres se deve principalmente aos salários.

Renda Domiciliar em Alta

Conforme o boletim, a renda média domiciliar per capita nas metrópoles atingiu um novo recorde, alcançando R$ 2.766 em 2025. No ano anterior, aproximadamente 15 milhões de pessoas viviam em situação de pobreza, recebendo até R$ 729 por mês. Deste total, cerca de 2,6 milhões estavam em situação de extrema pobreza, com renda mensal per capita inferior a R$ 229.

Desigualdade Persistente

Um dado preocupante revelado pelo estudo é que, em 2025, os 10% mais ricos do país ganharam, em média, 16,1 vezes mais do que os 40% mais pobres. Essa estatística ressalta a gravidade das disparidades socioeconômicas que ainda permeiam as metrópoles.

Ribeiro aponta que a desigualdade tem uma dimensão geográfica evidente: enquanto as regiões Norte e Nordeste enfrentam maiores índices de pobreza, as áreas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste apresentam uma realidade distinta. O Distrito Federal, por exemplo, possui uma média de renda de R$ 4.401, contrastando com a média de R$ 1.616 em São Luís.

Perspectivas Futuras

O levantamento abrange 22 regiões metropolitanas, que correspondem a aproximadamente 300 cidades, e onde residem cerca de 40% da população brasileira. Apesar dos avanços, Ribeiro alerta que a desigualdade histórica no Brasil está enraizada em diversas questões, incluindo o mercado de trabalho e os altos juros, que favorecem os grupos mais abastados.

Esses dados representam um passo importante na luta contra a pobreza, mas o caminho para a equidade social ainda é longo. A situação exige que as políticas públicas se concentrem não apenas na criação de empregos, mas também na garantia de uma distribuição de renda mais justa.

Fonte: www.leiaja.com