Cerimônia em Aparecida Clama por Paz e Desarmamento em Dia da Padroeira do Brasil
Dom Mário Antônio da Silva destaca a importância de cuidar dos mais vulneráveis e reforça a necessidade de pacificação em meio a tensões sociais.
Na manhã desta segunda-feira, 12 de outubro, a Catedral Basílica de Aparecida, em São Paulo, foi palco da principal cerimônia religiosa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. O arcebispo metropolitano de Aparecida, Dom Mário Antônio da Silva, usou seu sermão para convocar a sociedade a refletir sobre a fome, a pobreza e a necessidade de paz, em um momento em que o país enfrenta desafios significativos.
Um Apelo à Solidariedade
Durante a missa solene das 9h, que contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, Dom Mário enfatizou: “Quem escuta Deus não pode ficar indiferente diante da fome, da pobreza, da violência, da solidão.” Ele abordou a realidade de famílias sofrendo, crianças e jovens sem esperança e idosos abandonados, destacando a urgência de se preocupar com as guerras e a destruição ambiental que afetam não apenas o Brasil, mas o mundo todo.
A Necessidade do Desarmamento
Em um trecho impactante de sua homilia, o arcebispo pediu o desarmamento, afirmando que Jesus ensina a construir a paz. Ele afirmou que a evangelização não deve ser uma justificativa para o ódio ou a violência: “O evangelho… não nos autoriza a odiar quem pensa diferente, nem a matar os inimigos.”
Tensão Política e a Padroeira
Após a cerimônia, Dom Mário foi questionado sobre a recente polêmica envolvendo o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. O debate surgiu de alegações sobre a reprovação de grupos evangélicos em relação a esse status, especialmente no contexto da campanha de Flávio Bolsonaro. O candidato negou qualquer intenção de mudar esse título histórico, que foi concedido pelo papa em 1930.
Dom Mário, embora consciente das correntes políticas “favoráveis e contrárias”, optou por não especular sobre o futuro. “Creio que as movimentações políticas existirão no decorrer dos próximos anos. No momento, é mais importante vivenciarmos com alegria a tradição de Nossa Senhora Aparecida”, disse ele.
A Romaria e a Fé do Povo
O dia de Nossa Senhora Aparecida atraiu milhares de fiéis ao santuário na cidade de Aparecida, com previsões de que cerca de 150 mil pessoas visitassem o local ao longo do dia. Durante a recente novena, aproximadamente 500 mil romeiros passaram pela basílica.
Entre os devotos estava Anderson Roberto Mendes da Costa, de 47 anos, que percorreu a pé 172 quilômetros em cinco dias para chegar ao santuário. Ele enfrentou desafios como tempestades e insolação, mas se mostrou grato por ter chegado ao destino. “Mesmo com as dores, conseguimos chegar, realizados com as bênçãos alcançadas”, afirmou.
Outra romeira, Rosemeire Alves Araújo Vieira, de 59 anos, veio de Minas Gerais em busca de uma bênção especial para o Brasil em tempos de eleição. “Estar aqui é uma emoção muito grande”, destacou.
A celebração em Aparecida reafirmou a força da fé e o desejo de um Brasil mais solidário e pacífico.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br







