Avalanche Devastadora Deixa Mais de 2.400 Desaparecidos no Nepal e na China
Socorristas enfrentam desafios enquanto buscam sobreviventes em meio à destruição causada pelo desastre natural
Nesta sexta-feira (28), o número de pessoas desaparecidas em decorrência de uma avalanche que atingiu o Nepal e a China ultrapassou 2.400. A tragédia ocorreu dias atrás, quando uma massa de lama e gelo arrasou povoados, resultando em centenas de mortes.
Até o momento, foram recuperados 586 corpos, sendo 579 no Nepal e 7 na China. Alguns dos corpos foram encontrados flutuando a longas distâncias, até mesmo na Índia.
Trabalho de Resgate em Curso
Equipes de socorro continuam trabalhando incansavelmente para localizar sobreviventes, dois dias após a grande avalanche que soterrou casas, destruiu pontes e arrastou veículos nas regiões afetadas. A situação é alarmante, principalmente com o recente aumento no número de desaparecidos, que inclui excursionistas e peregrinos. A autoridade de gestão de desastres do Nepal anunciou a inclusão de 933 funcionários de hidrelétricas entre os desaparecidos.
Um relatório do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) revelou que o desastre foi causado pelo colapso parcial de uma geleira, liberando um fluxo devastador de água gelada e sedimentos. Em um desenvolvimento preocupante, um lago resultante dessa avalanche se rompeu hoje no Tibete, colocando em risco os socorristas na área.
Alertas e Resposta Internacional
Diante do cenário de caos, a polícia nepalesa orientou os socorristas a se manterem em segurança, embora o alerta tenha sido suspenso ao final da tarde, sem registro de novas inundações. No lado chinês, a mídia estatal reportou uma diminuição gradual do risco de inundações, com equipes de resgate operando de maneira ordenada. Um grupo de 21 socorristas chineses conseguiu acessar a área mais afetada, no posto fronteiriço de Gyirong.
O presidente da China, Xi Jinping, ofereceu apoio ao Nepal em suas operações de resgate.
Desafios e Esperança
As condições das áreas devastadas são críticas, com suprimentos de alimentos e água potável começando a acabar. O Exército nepalês anunciou ter encontrado mais de 100 pessoas presas em um túnel de um projeto hidrelétrico. Famílias, como a de Sita Adhikari, expressam sua angústia, pois ainda não têm notícias de seus entes queridos.
Os relatos de sobreviventes, como o engenheiro indiano Ananay Sharma, destacam a força do desastre: "Estava na hidrelétrica quando ouvi um barulho ensurdecedor. Quando saí, tudo havia desaparecido", contou ele.
Entre os desaparecidos estão muitos peregrinos hindus que estavam visitando o Monte Kailash, no lado chinês da fronteira. Os relatos de sobreviventes, como o de Sivaranjani Muthunathan, mostram a gravidade da situação, onde até dois de três ônibus de um grupo de peregrinos foram arrastados.
Consequências Sociais e Humanitárias
Esta é a tragédia mais letal no Nepal desde o terremoto de 2015, que causou quase 9.000 mortes. O responsável da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho no Nepal estima que cerca de 93.000 pessoas possam ter sido afetadas, indicando que o trauma será profundo.
Apesar da gravidade da situação, o Nepal recusou assistência internacional. A União Europeia anunciou um auxílio emergencial de 2 milhões de euros, enquanto o Canadá se comprometeu a enviar 3,6 milhões de dólares em ajuda humanitária.
Fenômenos como inundações e deslizamentos de terra são comuns durante a temporada de monções, que ocorre de junho a setembro na região. Especialistas alertam que as mudanças climáticas estão aumentando a frequência e intensidade desses desastres.
Fonte: www.folhape.com.br








