Brasil propõe regulamentação global de alimentos ultraprocessados na OMS
Iniciativa visa proteger crianças e adolescentes contra a publicidade de produtos prejudiciais à saúde
Na última terça-feira (19), o Brasil apresentou na Organização Mundial da Saúde (OMS) uma proposta para regular a venda de alimentos ultraprocessados em escala global. A iniciativa, que já conta com o apoio de países como França, México e Uruguai, busca implementar normas mais rígidas para a comercialização desses produtos, especialmente em locais frequentados por crianças e adolescentes.
Foco na proteção da saúde infantil
A proposta brasileira sugere que os países adotem definições claras e baseadas em evidências sobre alimentos ultraprocessados. Entre os principais pontos estão:
- Restringir ou proibir a publicidade desses produtos em ambientes onde crianças estão presentes, como escolas e eventos culturais.
- Regular o marketing digital, evitando que crianças e adolescentes sejam alvo de estratégias de publicidade direcionadas.
- Considerar todas as formas de mídia na regulamentação, incluindo redes sociais e plataformas digitais emergentes.
O plano brasileiro será debatido na próxima Assembleia Geral da OMS, marcada para o ano que vem. Para que a proposta seja aprovada, é necessária a aceitação por maioria simples, conforme destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Preocupações com a saúde pública
A proposta é um desdobramento de um esforço anterior, em que a OMS já havia regulado o marketing digital de fórmulas infantis, liderado pelo Brasil. O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados é alarmante, já que essas opções estão ligadas ao crescimento da obesidade, diabetes e certos tipos de câncer, especialmente entre crianças e grupos vulneráveis.
O Brasil ressalta que práticas de marketing intensivas e estratégias voltadas ao público infantil têm contribuído para a popularização desses produtos. O apelo a influenciadores e o uso de personagens infantis são algumas das táticas citadas.
Aliados na luta contra a obesidade
Em entrevista ao Estadão, Padilha afirmou a intenção de buscar apoio de outros países em fóruns internacionais, incluindo os Brics. Ele observou que a regulamentação das fórmulas lácteas representa um passo inicial importante.
Atualmente, o Brasil estabelece que apenas 10% da alimentação escolar pode ser composta por produtos processados e ultraprocessados, com a meta de eliminar essa proporção nos próximos anos. As capitais que já implementaram essa restrição observam resultados positivos, com adolescentes consumindo menos desses alimentos.
Além disso, o Brasil propõe um monitoramento anual da exposição da população a alimentos ultraprocessados. Pesquisas da revista The Lancet revelam que o consumo desses produtos tem crescido significativamente em vários países, substituindo alimentos mais saudáveis.
“O aumento da obesidade no Brasil é alarmante e precisamos encarar isso como uma questão de saúde pública”, concluiu Padilha. A proposta pode representar um avanço significativo na proteção da saúde infantil, se aprovada pela OMS.
Fonte: www.folhape.com.br








