Eleitores idosos marcam presença nas eleições: 36,8 milhões aptos a votar em 2026
Crescimento significativo no eleitorado acima de 60 anos redefine prioridades nas campanhas políticas
Mais de 158 milhões de brasileiros estarão aptos a votar em outubro deste ano, e uma parcela expressiva desse público é composta por idosos. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aproximadamente 23% dos eleitores, ou seja, mais de 36,8 milhões de pessoas, têm mais de 60 anos. Este é o maior número de eleitores idosos já registrado no Brasil.
A importância do eleitorado idoso
A doutora em Ciência Política e professora da UFRJ, Mayra Goulart, explica que esse aumento significativo torna os eleitores idosos um grupo fundamental para as campanhas eleitorais. O crescimento de 74% no número de idosos com título de eleitor ativo desde 2010 destaca a relevância desse segmento.
“Temas como saúde pública, acesso a medicamentos e previdência ganham destaque, pois afetam diretamente essa população e suas famílias”, ressalta Goulart. A especialista também aponta que as questões públicas, como proteção social e estabilidade de renda, são preocupações centrais entre esses eleitores.
O papel da participação feminina
Mayra ainda destaca a participação feminina entre os idosos. Segundo o Censo de 2022, as mulheres representam 54% dos eleitores entre 60 e 69 anos e quase 68% entre aqueles com 90 anos ou mais. “É essencial considerar as trajetórias das mulheres, que frequentemente são as principais cuidadoras em suas famílias”, acrescenta.
Abstenção entre os idosos
Atualmente, cerca de 16 milhões de idosos têm mais de 70 anos, o que representa 10,6% do total de eleitores. Na última eleição, 8 milhões de idosos não compareceram às urnas, resultando em uma impressionante taxa de abstenção de quase 60%.
Ivalda Barbosa, de 76 anos, faz parte desse grupo. Ela relata sua experiência com eleições, afirmando que, apesar de ter votado apenas por necessidade, sempre prestou atenção nas propostas dos candidatos.
Desafios para o comparecimento
Para Goulart, reduzir a abstenção entre os idosos requer uma mobilização específica. “É fundamental criar conteúdos que se conectem com essa população, tratando de temas relevantes e utilizando formatos acessíveis”, defende a especialista. A mobilidade e questões de saúde também são barreiras que podem impedir o comparecimento às urnas, e o esforço deve ser voltado para entender e resolver essas dificuldades.
Com um número crescente de eleitores mais velhos, as próximas eleições prometem trazer à tona uma nova dinâmica, onde as demandas e prioridades desse grupo serão mais relevantes do que nunca nas campanhas.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br








