Estados Unidos carece de proteção contra ataques aéreos de Rússia e China
Nova iniciativa militar busca fortalecer a defesa aérea, mas enfrenta desafios organizacionais significativos.
Os Estados Unidos enfrentam uma grave ameaça de ataques aéreos por parte da Rússia e da China, o que representa um desafio estratégico em um mundo cada vez mais dominado por drones e mísseis. A situação ganhou destaque com a ordem executiva do ex-presidente Donald Trump, em fevereiro de 2025, que instituiu o projeto “Golden Dome”, com o objetivo de proteger cidadãos e infraestruturas norte-americanas.
Avanços iniciais, mas lacunas permanecem
Embora o Departamento de Defesa tenha iniciado a criação de um escritório dedicado ao "Golden Dome", a falta de controle sobre sistemas essenciais de defesa aérea e de mísseis ainda é uma preocupação. Sistemas que têm se mostrado eficazes em campos de batalha na Ucrânia e no Oriente Médio, como o Aegis da Marinha dos EUA e os interceptores Patriot do Exército, permanecem sob diferentes estruturas e agências.
Divisão de responsabilidades gera ineficiência
A estrutura atual de comando dificulta uma resposta rápida e eficaz. O diretor do Golden Dome reporta-se diretamente ao Vice-Secretário de Defesa, mas isso não lhe confere autoridade sobre outras forças armadas, como o Exército, a Marinha e a Força Aérea. Essa difusão de responsabilidades pode ser um obstáculo para o sucesso da iniciativa.
Para que o Golden Dome funcione de forma eficaz, o Departamento de Defesa precisa aprender com inovações do período da Guerra Fria. Um exemplo é o Almirante Hyman Rickover, que revolucionou a propulsão nuclear na Marinha em apenas cinco anos, enfatizando a necessidade de um responsável claro e direto.
Reforma organizacional necessária para o sucesso do Golden Dome
Rickover defendia que, se a responsabilidade fosse compartilhada, a eficácia das operações seria comprometida. Para garantir a eficácia do Golden Dome, é essencial que o Secretário de Defesa delegue total autoridade para a coordenação de operações, unificando a responsabilidade que hoje está dividida entre diversas agências, como a Missile Defense Agency e a Administração Federal de Aviação (FAA).
Essa centralização de comando pode incluir a incorporação de operações de defesa de mísseis balísticos e vigilância aérea sob a alçada do Golden Dome, além de considerar a realocação de programas de defesa consagrados, como Aegis e Patriot.
Desafios à frente, mas lições valiosas a serem aprendidas
Embora o processo de reestruturação seja desafiador, é viável. O sucesso do Golden Dome dependerá de um entendimento claro de que a autoridade organizacional é tão crucial quanto qualquer aspecto tecnológico. O Departamento de Defesa deve aprender com experiências passadas, como as do programa de propulsão nuclear de Rickover, garantindo assim que a defesa aérea dos Estados Unidos se fortaleça diante de ameaças emergentes.
Fonte: www.defensenews.com








