Como o Uso de Drones de Kyiv Impactou os EUA e Pode Atingir Moscovo: Perspectivas de um Oficial Ucraniano

Estados Unidos sinaliza abertura à construção de mísseis Patriot pela Ucrânia

Em uma nova dinâmica de negociações, Ucrânia busca se firmar como parceira dos EUA no setor de defesa

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou ao presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, durante a cúpula do G7 na França, que está considerando permitir que a Ucrânia produza seus próprios mísseis interceptor Patriot. Essa é a primeira vez que Washington demonstra disposição para atender a esse pedido desde que a Rússia iniciou sua invasão em 2022.

Mudanças no cenário de defesa da Ucrânia

A sinalização de Trump já era antecipada pela Ucrânia, que semanas antes havia comentado sobre as mudanças em sua abordagem nas negociações de paz. O chefe do Escritório do Presidente da Ucrânia, Kyrylo Budanov, afirmou que o país não se apresenta mais apenas como um solicitante. "Estamos prontos para oferecer algo que seja interessante", disse ele, destacando a disposição da Ucrânia em assumir um papel ativo nas discussões.

Com o apoio ocidental, a Ucrânia tem dependido principalmente de armamentos fornecidos pelos aliados para resistir à ofensiva russa. Entretanto, essa dinâmica está em transformação. Os EUA estão cada vez mais interessados nos drones interceptadores ucranianos, que têm se mostrado eficazes em defender o espaço aéreo americano, especialmente após as tensões no Irã.

Colaboração com aliados ocidentais

Na última terça-feira, Zelenskyy descreveu sua conversa com Trump, ressaltando que, pela primeira vez, os EUA veem positivamente a ideia de licenciar a produção dos mísseis. Essa conversa ocorreu em Évian, e dois dias depois, o ministro da Defesa da Ucrânia assinou um acordo com a Alemanha para o desenvolvimento conjunto de defesas antimísseis.

Atualmente, a guerra se aproxima de uma possível trégua em setembro, um prazo que Zelenskyy considera crucial para o avanço nas negociações, que estão paradas desde fevereiro. A Ucrânia abordará essas conversações com algo a oferecer, ao invés de apenas uma lista de demandas.

A posição da Ucrânia nas negociações

Apesar dessa nova postura, há vozes discordantes sobre a força das negociações da Ucrânia. Trump, em outra declaração, afirmou que os EUA não precisam da ajuda ucraniana em defesa contra drones, declarando que possuem conhecimento suficiente sobre o tema.

Budanov, não obstante, refutou a ideia de que a Ucrânia depende da ajuda dos outros. "Não precisamos ser vistos como aqueles que só pedem", disse ele durante uma coletiva. Para ele, a verdadeira alavanca no processo de negociação reside na percepção russa de que não pode vencer a guerra militarmente.

Ofensiva ucraniana e tecnologia de defesa

Recentemente, a Ucrânia lançou uma das maiores ofensivas com drones contra Moscou, atacando um importante refinaria de petróleo na capital russa. Essa campanha é vista, em parte, como uma estratégia para pressionar a Rússia a negociar.

Os dados mais recentes mostram que a defesa aérea ucraniana interceptou cerca de 92% dos drones lançados pela Rússia em maio, um aumento significativo em relação a meses anteriores. Com uma tecnologia de interceptação em rápida evolução, a Ucrânia produziu 100 mil drones interceptadores em 2025, um número que dobrou nos primeiros meses de 2026.

A formalização de um acordo para a produção de mísseis ainda está pendente. Um memorando foi elaborado, mas aguarda a assinatura de Trump, em meio a dificuldades envolvendo a alta cúpula do Pentágono e da Casa Branca.

O caminho à frente

A guerra no Irã permitiu aos EUA reorientar sua atenção para a Ucrânia, onde as necessidades de defesa estão se tornando mais evidentes. A produção dos mísseis Patriot, muito requisitada, ocorre em um ritmo que não atende à demanda atual. Zelenskyy defende que autorizar a produção desses mísseis em solo ucraniano é a única maneira de fechar a lacuna existente.

A Ucrânia, que passou anos solicitando apoio militar, agora adota uma postura agressiva e busca pressionar a Rússia em suas negociações. "Vencer militarmente não está funcionando, e eles sabem disso perfeitamente", concluiu Budanov.

Fonte: www.defensenews.com