Últimos Dias para Inscrições no Concurso de Arquitetura Indígena no Brasil
Iniciativa do CAU/BR busca valorizar a contribuição dos povos originários para a arquitetura e o urbanismo brasileiro
As inscrições para o inédito Concurso de Arquitetura Indígena no Brasil se encerram na próxima sexta-feira, 10 de novembro. Organizado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), o concurso nasceu da Comissão de Políticas Urbanas e Ambientais, que tem se dedicado a discutir temas como demarcação de terras indígenas e a rica arquitetura dos povos originários.
Conhecimento Ancestral e Sustentabilidade
A conselheira do CAU/BR, Leila Marques, destacou em entrevista que a arquitetura indígena traz consigo um conjunto de saberes que influenciam a arquitetura moderna. "Esses conhecimentos se tornam técnicos e científicos, mas têm suas raízes na cultura indígena", afirmou. Leila explicou que materiais naturais, como madeira e palha, utilizados há gerações pelos povos indígenas, estão atualmente sendo redescobertos pelos arquitetos como soluções sustentáveis.
Os materiais usados por essas comunidades são não poluentes e contribuem para a preservação ambiental. O edital do concurso faz parte de um projeto que visa estudar a Amazônia Legal e a arquitetura indígena, além da arquitetura de povos ribeirinhos.
Um Novo Marco
Este concurso é um marco no CAU/Brasil, pois pela primeira vez, há um reconhecimento formal da arquitetura indígena e sua influência no urbanismo contemporâneo. Os 13 melhores projetos e artigos de cada categoria serão compilados em uma publicação inédita. É importante ressaltar que não é necessário que os textos tenham sido publicados em revistas científicas.
A intenção do concurso é não só produzir conhecimento, mas também promover uma reflexão sobre a contribuição dos povos indígenas para o desenvolvimento de soluções que se adequem às especificidades dos territórios brasileiros.
Público-Alvo
A competição está aberta a arquitetos, urbanistas, pesquisadores, professores, estudantes de pós-graduação e membros de grupos de pesquisa que desenvolvem projetos relacionados à arquitetura indígena e à cultura local. Os trabalhos podem abordar desde a construção de habitações a espaços de convivência e rituais.
Leila comentou sobre a riqueza das técnicas indígenas, que utilizam madeiras de forma inovadora, dispensando o uso de pregos e parafusos. "Essas técnicas são duráveis e adequadas ao clima, algo admirado por muitos arquitetos", acrescentou.
Reconhecimento e Premiação
O CAU/BR quer reconhecer a contribuição dos povos originários para a arquitetura atual e preservar essa história. “Quem conhece sua história conhece seu futuro”, enfatizou Leila. Para incentivar a participação, os melhores trabalhos receberão prêmios em dinheiro: R$ 10 mil para o primeiro lugar, R$ 6 mil para o segundo e R$ 4 mil para o terceiro, além de R$ 2 mil para os classificados entre quarto e décimo terceiro.
O resultado final será anunciado em 27 de agosto, podendo ser adiado para 8 de setembro, caso haja necessidade. O livro com os melhores projetos e artigos será lançado ainda este ano.
Para mais informações e para se inscrever, acesse o regulamento do concurso ou entre em contato pelo e-mail [email protected].
Sobre o CAU/BR
O CAU/BR é a autarquia federal responsável por regulamentar e fiscalizar o exercício da profissão de arquiteto e urbanista no Brasil.
Fonte: www.folhape.com.br








