Coreia do Sul Anuncia Plano para Desenvolvimento de Submarinos Nucleares
Primeira iniciativa do país visa fortalecer capacidades militares e aumentar cooperação com os EUA
A Coreia do Sul deu um passo significativo em sua estratégia militar ao anunciar oficialmente o lançamento de um programa para desenvolver submarinos de ataque nucleares, conhecidos como SSNs. O governo de Seul revelou planos para colocar seu primeiro submarino em operação até o final da década de 2030.
Detalhes do Programa
Na última semana, o Ministério da Defesa da Coreia do Sul apresentou o "Plano Básico para o Desenvolvimento de Submarinos Nucleares", destacando a ambição do país de modernizar suas forças armadas. O projeto, denominado Jang Bogo-N, faz referência ao primeiro submarino sul-coreano, comissionado em 1992. A letra "N" simboliza "próxima geração", "nuclear" e "nova tecnologia".
O programa prevê a construção de quatro submarinos nucleares, com tamanho e capacidade comparáveis à classe Virginia da Marinha dos EUA, estimando-se que cada um terá um deslocamento de aproximadamente 8.000 toneladas.
Motivos para a Adoção de Submarinos Nucleares
Kim Jae Yeop, especialista do Instituto Sungkyun para Estratégia Global em Seul, delineou quatro razões principais para essa decisão:
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Contraposição a Ameaças: A Coreia do Sul busca desenvolver uma capacidade militar que contrabalançará as ameaças de mísseis lançados por submarinos da Coreia do Norte, assim como uma maneira de enfrentar o poderio militar da China.
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Cooperação com os EUA: O país deseja fortalecer sua colaboração com os Estados Unidos, similar ao que a Austrália faz por meio do programa AUKUS, ampliando as atividades militares conjuntas além da Península Coreana.
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Status Internacional: A Coreia do Sul também busca elevar seu status político e militar na comunidade internacional.
- Alternativa a Armamentos Nucleares: Em resposta ao aumento das ameaças nucleares de Pyongyang, os submarinos nucleares representam uma alternativa viável aos pedidos por armas nucleares no país.
Desenvolvimento Indígena e Desafios
O Ministério da Defesa descreveu o projeto de SSNs como um grande empreendimento industrial nacional, que deve durar mais de 40 anos e estimular a geração de mais de 40 mil novos empregos no setor. Embora tenha enfrentado críticas sobre a necessidade de construção em território nacional, a instalação de construção de submarinos adquirida pela Hanwha Ocean nos EUA não possui a infraestrutura necessária para a construção de embarcações nucleares.
Os submarinos sul-coreanos utilizarão urânio levemente enriquecido e reatores de ciclo longo, em contraste com os modelos da Marinha dos EUA, que usam combustível altamente enriquecido. Isso permitirá que os submarinos sul-coreanos tenham menos necessidade de operações de reabastecimento.
Conceito de Design e Perspectivas Futuras
A ideia do projeto Jang Bogo-N já atraiu a atenção do mercado, com ações dos estaleiros Hanwha Ocean e HD Hyundai Heavy Industries subindo significativamente após o anúncio. Durante uma exposição em Busan, a Hanwha Ocean apresentou conceitos inovadores para seus submarinos, que incluem até mesmo uma seção para lançamento vertical de mísseis.
Embora a jornada para o desenvolvimento desse novo tipo de submarino leve tempo, as atuais forças convencionais da Marinha da Coreia do Sul continuarão a ser aprimoradas no enfrentamento das ameaças submarinas de Pyongyang e outras potências regionais.
Esse plano é visto como um marco histórico para a segurança marítima da Coreia do Sul. O governo reafirmou que não buscará desenvolver armas nucleares, mas a aquisição de submarinos nucleares deve fortalecer sua posição ao lado dos aliados na região Ásia-Pacífico.
Implicações Regionais
A movimentação sul-coreana pode ter repercussões na dinâmica de segurança regional, levando o Japão a considerar o desenvolvimento de seus próprios submarinos nucleares, como já mencionado por seu Ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi. Isso exigirá uma coordenação cuidadosa entre Seul e Tóquio para que a segurança conjunta não seja comprometida.
Fonte: www.defensenews.com







