Fim da Missão da UNIFIL em Libano: Iluminações e Incertezas
Organização da ONU avalia futuro das operações de paz em meio a tensões na região e a presença contínua de Israel.
A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) está se aproximando do fim de sua missão em um contexto marcado por incertezas sobre a segurança no sul do país, que ainda enfrenta a ocupação israelense. Com o mandato da UNIFIL expirando no final deste ano, diferentes cenários estão sendo considerados, mas um plano claro ainda não se materializou.
Evacuações e Contínuas Operações
A missão da UNIFIL já começou a enfrentar desafios significativos. Parte de seu pessoal civil internacional foi evacuado devido ao aumento da violência na região, que teve início em 2 de março. No entanto, as tropas militares da missão continuam a operar no terreno, conforme assegurado pela porta-voz da UNIFIL, Kandice Ardiel: “A UNIFIL tem um mandato que se estende até 31 de dezembro de 2026, e nossa missão continuará até então.”
Alternativas e Propostas
Mesmo com a urgência da situação, os países membros da ONU e o Conselho de Segurança ainda não chegaram a um consenso sobre a continuidade da presença internacional. Em 2 de junho, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, apresentou ao Conselho três opções que reduzem significativamente o número de pacificadores no sul do Líbano, variando de 900 a 3.000 soldados.
“Estamos esperando a decisão do Conselho de Segurança. Nossa prioridade é cumprir o mandato e preparar uma transição suave para o que vem a seguir,” disse Ardiel.
Riscos de um Vácuo de Segurança
Com o fim da missão se aproximando, cresce a preocupação sobre um possível vácuo de segurança no sul do Líbano. No entanto, diversas nações têm manifestado interesse em garantir uma presença internacional na região após a saída da UNIFIL.
Recentemente, Itália e França propuseram a formação de uma coalizão multinacional, ideia que recebeu o apoio da Alemanha. Além disso, a Serviço de Ação Externa da União Europeia sugeriu um plano de três anos que visa fortalecer as autoridades libanesas, mas não como um substituto direto para a UNIFIL.
Implicações da Presença Israelense
A situação é complexa e é agravada pela presença contínua de Israel em território libanês e suas operações militares nas vilas fronteiriças. As discussões sobre um acordo de segurança entre Líbano e Israel têm sido complicadas, e a UNIFIL não tem estado presente nas negociações. A aplicação de "zonas piloto" sob controle do Exército Libanês, livre da presença da Hezbollah e suas armas, é uma das propostas, mas como a verificação será realizada ainda é incerto.
Cenários Futuros e Responsabilidade Local
O governo libanês expressa claramente seu desejo de manter uma presença internacional ao longo da fronteira. Uma delegação do Parlamento libanês, que inclui 86 representantes, entregou uma petição solicitando a renovação do mandato da UNIFIL, destacando as preocupações sobre os impactos da retirada das tropas.
No entanto, especialistas como Paul Salem, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, argumentam que a responsabilidade pela segurança deve ser assumida pelas autoridades libanesas e pelo Exército Libanês, sem depender de uma nova força internacional. “O tempo de depender dos outros acabou. O exército libanês deve ser apoiado para assumir a plena responsabilidade pela segurança,” afirmou Salem.
Conclusão
À medida que a data de 31 de dezembro se aproxima, fica a expectativa sobre como será o amanhã no sul do Líbano. Enquanto as negociações continuam e novas propostas surgem, o futuro da segurança na região permanece uma questão em aberto, exigindo atenção tanto local quanto global.
Fonte: www.defensenews.com








