Monique Medeiros enfrenta ameaças em sua primeira noite de liberdade
Ex-professora, que recebeu perdão judicial pela morte do filho Henry Borel, se vê isolada e sob pressão após a decisão do tribunal.
Após garantir sua liberdade na quinta-feira, 12 de outubro, Monique Medeiros passou a sexta-feira com os familiares, isolada e preocupada. Ela deixou o Presídio Talavera Bruce, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, após receber perdão judicial pela morte de seu filho, Henry Borel. A decisão, da juíza Elizabeth Louro, rebaixou a acusação de homicídio doloso para culposo, resultando em sua condenação sem pena.
Ameaças e ressentimentos
Desde que a sentença foi divulgada, Monique e seus familiares têm recebido ameaças, o que intensifica o clima de apreensão. Segundo seu advogado, Hugo Novais, a família está acuada diante do clima de hostilidade gerado pela decisão judicial. "Eles estão acuados com tantas ameaças. Muito ódio", afirmou Novais.
A saída de Monique da prisão ocorreu às 14h55, após a Justiça decidir extinguir sua punição por homicídio culposo. O julgamento, que durou dez dias, resultou em desdobramentos jurídicos significativos. A promotoria já anunciou que planeja recorrer da sentença.
Controvérsia no julgamento
Um dos pontos centrais da controvérsia está relacionado a um questionamento feito aos jurados. A própria juíza reconheceu que a pergunta apresentada estava incorreta e determinou que fosse revista, levando a uma nova deliberação do Conselho de Sentença, que então desclassificou o ato de Monique para negligência culposa. Esse desdobramento possibilitou a concessão do perdão judicial.
Impacto emocional e justificação da decisão
A juíza destacou em sua decisão que Monique já havia enfrentado consequências graves ao longo dos últimos cinco anos, como a exposição pública do caso e o sofrimento emocional associado à morte de seu filho. Esses fatores foram apontados como justificativas para dispensar uma nova punição.
No entanto, a defesa reafirma que a tensão e a hostilidade persistem, mesmo com a liberdade de Monique. O defensor expressou a preocupação contínua da família diante das reações da sociedade.
Críticas do pai de Henry
Leniel Borel, pai de Henry, se manifestou publicamente em redes sociais, expressando seu descontentamento com a decisão do tribunal. Embora respeite a deliberação, Leniel criticou a ênfase dada ao sofrimento de Monique em detrimento da memória de seu filho. "Isso demonstra que o próprio Ministério Público discorda da solução adotada", afirmou.
Próximos passos no processo jurídico
Apesar da liberdade de Monique, a luta jurídica ainda não terminou. O recurso do Ministério Público será analisado pelo Tribunal de Justiça do Rio, e caso haja irregularidades, um novo júri poderá ser convocado. Enquanto isso, a condenação do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, continua em vigor. Ele cumpre uma pena de 43 anos e nove meses pela morte de Henry e também planeja recorrer da decisão.
O caso de Henry Borel, que causou comoção em todo o país, ainda gera intensos debates e divergências sobre a responsabilidade dos envolvidos. A situação de Monique Medeiros, agora em liberdade, continua a ser um tema polêmico e relevante nas discussões sobre justiça no Brasil.
Fonte: www.folhape.com.br








