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Quase 50% dos Casos de Demência Podem Ser Prevenidos com Mudanças no Estilo de Vida

Pesquisa revela que campanhas de conscientização não têm gerado resultados efetivos

Uma nova pesquisa da Universidade Curtin aponta que quase metade dos casos de demência poderia ser evitada por meio do combate a fatores de risco modificáveis, como a inatividade física, o tabagismo, a baixa escolaridade e o isolamento social. No entanto, as atuais estratégias de saúde pública parecem insuficientes para promover mudanças reais de comportamento.

A revisão internacional, divulgada na revista The Lancet Healthy Longevity, analisou campanhas e programas de saúde pública em oito países. Os resultados indicam que, apesar de campanhas de conscientização em larga escala alcançarem um público amplo, elas resultam em apenas pequenas melhorias no conhecimento e mudanças limitadas nas atitudes das pessoas.

Necessidade de Abordagens Mais Eficazes

O estudo destaca a necessidade de abordagens mais envolventes e que considerem as especificidades das comunidades para modificar efetivamente os comportamentos e reduzir o risco de demência. O autor Mario Siervo, da Escola de Saúde Populacional de Curtin, afirma que até 45% dos casos de demência estão relacionados a fatores que podem ser alterados, mas apenas informar a população sobre esses riscos não é suficiente.

“Campanhas de conscientização são importantes, mas raramente levam a mudanças de comportamento significativas ou duradouras”, explica Siervo.

A Relevância da Força Muscular e Composição Corporal

Um segundo estudo conduzido pelo grupo da Universidade Curtin reforçou esses achados, ao mostrar que a força muscular e a composição corporal têm um papel crucial no risco de demência. Publicados na revista Clinical Nutrition, os resultados de uma análise que acompanhou quase 500.000 adultos por mais de dez anos revelaram que a obesidade sarcopênica, caracterizada pela baixa força muscular e excesso de gordura, está associada a um aumento no risco de desenvolver a doença.

A professora Blossom Stephan, coautora do estudo, destaca que “existe uma crença errônea de que a demência é uma parte inevitável do envelhecimento”, e enfatiza que barreiras como tempo, custo e motivação podem dificultar mudanças no estilo de vida.

Propostas para Aumentar o Engajamento

Para superar esses desafios, a pesquisa sugere a adoção de abordagens interativas que possam melhor engajar a população. Entre as propostas estão:

  • Programas de educação online: que guiem as pessoas em passos práticos para melhorar a saúde cerebral.
  • Avaliações de risco personalizadas: que demonstrem como o estilo de vida individual impacta no risco de demência.
  • Programas comunitários: ministrados por figuras de confiança da comunidade, como educadores e profissionais de saúde.

Siervo afirma que essas estratégias têm maior potencial para envolver as pessoas e fomentar mudanças sustentáveis. “Quando as pessoas compreendem seus riscos pessoais e recebem orientações práticas, especialmente através de redes comunitárias, elas estão mais propensas a fazer mudanças significativas”, conclui.

Essas abordagens mais direcionadas poderão fazer a diferença na luta contra a demência, promovendo não apenas a conscientização, mas transformando conhecimento em ação.

Fonte: www.folhape.com.br