Morre Luiz Carlos Barreto, o Barretão, ícone do cinema e do futebol brasileiro
Produtor e diretor, Barreto capturou a essência do esporte em suas obras, deixando um legado inestimável
Luiz Carlos Barreto, conhecido como Barretão, faleceu na madrugada desta quarta-feira, aos 98 anos, em decorrência de problemas de saúde que se agravaram desde março de 2024, após uma queda em sua terra natal, o Ceará. O cineasta estava internado desde a última terça-feira e é lembrado por sua significativa contribuição ao cinema brasileiro e à paixão pelo futebol.
Um elo entre cinema e futebol
A relação de Barreto com o futebol começou antes mesmo de sua carreira no cinema. Ele foi jogador, fotógrafo esportivo e torcedor fervoroso, além de ter se envolvido na política do Flamengo. Essa paixão pelo esporte se traduziu em diversas produções audiovisuais que retratam a magia do futebol brasileiro.
Dentre suas obras mais emblemáticas, está "Garrincha, Alegria do Povo", lançado em 1963 e dirigido por Joaquim Pedro de Andrade, onde Barreto atuou como produtor e colaborou com o roteiro. Este filme não só documentou a carreira do icônico jogador, mas também transformou a linguagem visual das transmissões futebolísticas ao destacar reações da torcida e momentos de emoção.
Um retrato da cultura popular
Barreto não se limitou a retratar a trajetória de grandes jogadores como Garrincha e Pelé. Em 1974, ele co-dirigiu "Isto É Pelé", um documentário que revisita a carreira do rei do futebol, compilando imagens históricas e conquistas que moldaram o esporte em nível mundial. Em 1978, produziu "Mané Garrincha", que, ao contrário do primeiro filme, enfocou a vida do jogador após sua aposentadoria e os desafios que enfrentou.
Adaptações criativas e comédias
No campo das comédias, Barreto também se destacou com "O Casamento de Romeu e Julieta", lançado em 2005, que explora o amor entre torcedores rivais. O filme, com uma trama bem-humorada, reflete como a rivalidade futebolística pode influenciar relacionamentos e a vida familiar.
Um legado e uma paixão
Fervoroso torcedor do Flamengo, Barreto fez história também fora das câmeras, participando ativamente da reformulação do clube na década de 1970. Com o apoio de diversas personalidades da cultura, ele ajudou a modernizar a administração do time, durante uma era vitoriosa que trouxe títulos significativos.
A conexão do cineasta com o futebol foi ainda mais aprofundada em sua família. Sua filha, Paula, foi casada com Cláudio Adão, ex-jogador do Flamengo, e seu neto, Felipe Adão, seguiu os passos do pai no futebol profissional.
A visão de Barreto sobre o futebol
Para Barreto, um bom filme de futebol precisava ir além do registro de jogadas: deveria capturar a essência da paixão dos torcedores. Ele entendeu que figuras como Garrincha e Pelé não eram apenas ídolos esportivos, mas também reflexos da cultura e das contradições sociais do Brasil.
Com sua morte, o Brasil perde um grande defensor do cinema e do futebol, cujas obras continuarão a inspirar e emocionar as futuras gerações.
Fonte: www.folhape.com.br








