Projeto de Lei da Misoginia Sob Ataque: Desinformação Nas Redes Sociais
Campanha coordenada por políticos de direita busca distorcer informações sobre a proposta aprovada pelo Senado
O Projeto de Lei da Misoginia, que recentemente recebeu aprovação do Senado, tornou-se alvo de uma intensa campanha de desinformação nas redes sociais. Segundo um levantamento do Observatório Lupa, a movimentação foi orquestrada por políticos de direita e incluiu a divulgação de narrativas enganosas e até conteúdo gerado por inteligência artificial.
Picos de Engajamento e Desinformação
Entre 24 de março e 30 de abril deste ano, pesquisadores do observatório analisaram mais de 289 mil publicações no X (antigo Twitter) sobre o tema. Além disso, foram examinados 6,3 mil posts no Facebook, 2,9 mil no Instagram e mil no Threads. Os dados revelaram picos de desinformação e padrões de comportamento que cercam a discussão sobre o PL 896/2023, que define misoginia como “a conduta que exterioriza ódio ou aversão às mulheres”.
Se aprovado pela Câmara dos Deputados sem mudanças, o projeto poderá incluir a “condição de mulher” na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989), prevendo penas de dois a cinco anos de prisão para atitudes consideradas misóginas.
O Papel do Deputado Nikolas Ferreira
O principal aumento no engajamento da desinformação ocorreu no dia 25 de março, um dia após a aprovação no Senado. Neste período, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou um vídeo que relacionava o PL da Misoginia a outro projeto, o PL 4224/2024, que trata da Política Nacional de Combate à Misoginia, mas que não foi parte do texto aprovado. O vídeo alcançou impressionantes 751 mil visualizações em apenas 24 horas, mas foi posteriormente removido e republicado sem a parte enganosa.
Narrativas Falsas e Medo Como Engajamento
Entre os conteúdos mais virais, destacou-se a narrativa de que o projeto restringiria a liberdade de expressão e poderia levar à perseguição de pessoas com opiniões contrárias. Outra afirmação recorrente sugeria que perguntas sobre a TPM poderiam resultar em prisões. De acordo com o relatório, as publicações exploravam o medo como motor para engajar a audiência.
Os pesquisadores também alertaram que outras desinformações indicavam que a proposta geraria "demissões em massa" de mulheres ou até criminalizaria trechos da Bíblia. Material criado por inteligência artificial alimentou vídeos falsos sobre supostas consequências do projeto, incluindo a ideia de que empresários começariam a demitir mulheres para evitar processos judiciais.
Figuras Influentes e a Cultura Misógina
Entre os principais disseminadores de desinformação, estavam não apenas Nikolas Ferreira, mas também o senador Flávio Bolsonaro (PL), o vereador Lucas Pavanato (PL), o comentarista Caio Coppola e a influenciadora Babi Mendes. O estudo notou um aumento do uso de termos ligados à cultura misógina, descrito como “redpill”, que retratam o projeto como uma ameaça aos homens. Também houve menções irônicas a aplicativos de transporte, sugerindo um temor de acusações falsas em situações cotidianas.
A Verdade por Trás da Proposta
Os pesquisadores destacam que as postagens frequentemente distorcem o verdadeiro foco do projeto, que visa combater práticas discriminatórias que causam “constrangimento, humilhação, medo ou exposição indevida” em razão do gênero. Para o Observatório Lupa, ignorar esse contexto apenas propaga a desinformação e desvirtua o necessário debate sobre a misoginia.
O estudo é um alerta sobre os perigos da desinformação, especialmente em temas tão delicados e importantes como a luta contra a misoginia.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br





