Eleições em Risco: Analistas Alertam sobre Ações Cibernéticas de EUA e Big Techs

Perigo de Interferência Cibernética dos EUA nas Eleições Brasileiras de 2026

Especialistas alertam para ações da Casa Branca que podem afetar a democracia no Brasil

Analistas em relações internacionais e tecnologia estão preocupados com a possibilidade de interferência cibernética dos Estados Unidos nas eleições gerais do Brasil, previstas para outubro deste ano. Eles destacam que a recente escalada das tensões entre as duas nações sugere que Washington pode adotar novas medidas, especialmente no âmbito virtual.

Reação a medidas americanas

Desde a imposição de tarifas de 25% a produtos brasileiros até o cancelamento do visto de autoridades do Brasil, especialistas, como Reynaldo Aragon, pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos em Comunicação, Cognição e Computação, afirmam que a situação é alarmante. Um memorando assinado pelo ex-presidente Donald Trump autoriza o uso de grandes empresas de tecnologia para operar ações de "vigilância cibernética".

"Os efeitos desse memorando são assustadores. A gente está falando de espionagem capaz de acessar informações específicas de indivíduos, podendo gerar relatórios que beneficiem ou prejudiquem candidatos", comenta Aragon.

Parceria com empresas privadas

O memorando, que visa combater crimes cibernéticos, estabelece uma relação entre a Casa Branca e empresas de tecnologia para realizar ações sem a autorização necessária. Isso inclui intervenções em redes de telecomunicações e sistemas informáticos que possam resultar em degradação ou até destruição de dados.

Neste cenário, Aragon recomenda que o Brasil invista em sua infraestrutura digital, já que muitos sistemas sensíveis do governo estão sob controle de empresas americanas.

Interferência Oculta

Ao contrário de ações abertas, a interferência cibernética pode ser implementada de forma clandestina. Aragon salienta que a manipulação de perfis nas redes sociais é apenas um dos métodos utilizados e que os riscos são alarmantes e abrangem a estrutura da sociedade.

Recentemente, o governo brasileiro vetou o visto de dois funcionários dos EUA, em meio a suspeitas de que eles planejavam questionar a integridade eleitoral do país.

Desacreditar o Sistema Eleitoral

O professor de história e especialista em geopolítica, Euclides Vasconcelos, enfatiza que a manipulação das percepções sobre o sistema eleitoral brasileiro está entre as táticas que podem ser esperadas dos EUA. "As big techs são muito mais do que plataformas: elas estão ligadas a Estados e podem influenciar demograficamente a população de forma direta", afirma ele.

Ele alude também à recente crise migratória em Ceuta, que ilustra a eficácia de ações impulsionadas por notícias falsas nas redes sociais.

Nova Estratégia dos EUA na América Latina

A recente doutrina de segurança dos EUA, que afirma a proeminência do país na América Latina, também é uma preocupação. Vasconcelos observa que o Brasil é considerado uma peça-chave nesse quebra-cabeça geopolítico, pois representa um desafio à dominação americana na região.

O ex-presidente Trump, em declarações públicas, identificou as eleições brasileiras como um teste para a estratégia dos EUA na América Latina, deixando claro o papel central do Brasil nesse contexto.

Diante desse quadro, especialistas reforçam a urgência de defesa da integridade das eleições e da soberania digital brasileira em um momento crítico da democracia do país.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br