Evo Morales Propõe Novas Eleições em 90 Dias: O Que Isso Significa para a Bolívia em Meio aos Protestos?

Evo Morales pede novas eleições na Bolívia em meio a protestos contra o governo de Rodrigo Paz

Ex-presidente sugere prazo de 90 dias para a convocação de novos pleitos em meio a uma crise econômica sem precedentes.

Neste domingo (24), o ex-presidente boliviano Evo Morales fez um apelo ao governo para que convoque novas eleições dentro de 90 dias, em um cenário de intensos protestos contra o governo de Rodrigo Paz, que assumiu a liderança há apenas seis meses. O país enfrenta a pior crise econômica em quatro décadas, impulsionada pela escassez de dólares.

Morales, em seu programa semanal de rádio na emissora Kawsachun Coca, destacou que o governo possui duas opções: “uma decisão suicida, a militarização, ou (…) pacificação, transição e eleições em 90 dias”. A situação é crítica, com manifestantes rejeitando as reformas propostas e acusando a administração de ignorar suas demandas.

Protestos e bloqueios

Nos últimos 21 dias, diversas rodovias que levam a La Paz, a capital do país, foram bloqueadas, resultando em uma grave escassez de alimentos, medicamentos e combustível na cidade. Esse cenário agravou a já preocupante inflação, que atingiu 14% em abril em comparação ao ano anterior.

Morales alertou que “para evitar mortes e feridos, a pacificação depende” da renúncia de Paz e da nomeação de um “presidente de transição” que possa convocar novas eleições rapidamente.

Acusações e tensão política

O governo, por sua vez, denunciou as manifestações à Organização dos Estados Americanos (OEA), alegando que têm como objetivo "desestabilizar a ordem democrática". Rodrigo Paz acusou Morales, que atualmente é considerado foragido por suposto envolvimento em tráfico de uma menor, de ser o mentor dos protestos.

Após servir como presidente de 2006 a 2019, Morales foi impedido de concorrer nas eleições do ano passado devido a uma decisão constitucional que limita as reeleições. A tensão política na Bolívia continua a aumentar, enquanto o país espera uma solução para sua crise econômica e social.

Fonte: www.folhape.com.br