Timochenko Alerta Sobre Risco de Violência Após Promessas de Novo Presidente da Colômbia
Ex-líder das Farc pede diálogo para honrar acordo de paz, enquanto novo governo sinaliza desmantelamento de instituições criadas para apoio à transição.
Na última terça-feira (14), Rodrigo Londoño, também conhecido como Timochenko, ex-líder da extinta guerrilha das Farc, expressou preocupação com o aumento da violência na Colômbia, em resposta às promessas do novo presidente eleito, que pretende prender ex-combatentes e revogar partes do acordo de paz de 2016.
Timochenko revelou que um grupo de ex-líderes guerrilheiros enviou uma carta ao ultradireitista Abelardo de la Espriella, reconhecendo sua vitória e solicitando um diálogo para "honrar" os compromissos do acordo de paz. Este pacto, assinado durante o governo de Juan Manuel Santos, levou cerca de 13 mil rebeldes a entregarem suas armas e se reintegrarem à sociedade.
Críticas ao Acordo de Paz
Abelardo de la Espriella, um crítico ferrenho do acordo, já manifestou sua intenção de desmantelar a Jurisdição Especial para a Paz (JEP), que julga crimes relacionados ao conflito, oferecendo penas alternativas para ex-guerrilheiros e militares que colaboram com a verdade. Recentemente, Timochenko recebeu uma condenação de oito anos de serviço comunitário por sua participação em sequestros.
Em uma declaração em vídeo, o novo presidente não apenas chamou Timochenko de “criminoso de guerra”, mas também desqualificou a JEP como um "disfarce de tribunal". O clima de tensão aumenta conforme De la Espriella promete interromper negociações com grupos dissidentes da Farc e realizar bombardeios em áreas controladas por guerrilheiros envolvidos com o narcotráfico.
Impactos da Violência
Durante um evento que marcou uma década do acordo, Timochenko destacou o estigma e as "mensagens de ódio" que ex-guerrilheiros enfrentam. De acordo com a Missão de Verificação da ONU, 492 ex-combatentes que aderiram ao pacto foram assassinados até agora.
Em resposta, Timochenko e outros líderes guerreiros reafirmaram seu compromisso com a paz e fizeram um apelo ao governo colombiano para que cumpra sua parte do acordo. “Acredito que o diálogo é fundamental para conquistar a paz”, afirmou à AFP, destacando a maturidade da sociedade colombiana em buscar a compreensão mútua, apesar das diferenças.
Desafios Futuros
Para que a JEP seja desmantelada, será necessária uma reforma constitucional que deve ser aprovada pelo novo Congresso, onde o partido de De la Espriella terá uma posição minoritária. O futuro do processo de paz na Colômbia permanece incerto, e o chamado ao diálogo pode ser um dos caminhos para evitar um retrocesso na luta pela paz e pela justiça social no país.
Fonte: www.folhape.com.br








