Estudo Revela a Relação entre Segurança Pública e Crescimento Econômico no Brasil
Pesquisa mostra que políticas de segurança eficazes podem impulsionar a geração de empregos e o ambiente de negócios
O Estado tem a responsabilidade primordial de garantir a segurança e proteger a vida e a propriedade dos cidadãos. Essa função se estende, entretanto, a aspectos econômicos fundamentais. Ignorar a relação entre segurança pública e desenvolvimento pode ser um dos principais obstáculos ao crescimento do Brasil.
Um estudo recente realizado pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV Eaesp), divulgado pelo jornal Valor, traz dados importantes sobre essa questão. A pesquisa analisou dados da Relação Anual de Informações Sociais em mais de 2 mil municípios de oito estados entre 2002 e 2019. O foco foi comparar cidades que implementaram políticas de segurança com aquelas que não adotaram tais medidas. O resultado foi claro: as localidades mais seguras registraram um aumento entre 7% e 10% na oferta de empregos formais e na abertura de novas empresas.
Políticas de Segurança como Motor do Desenvolvimento
De acordo com o pesquisador Bruno Pantaleão, as políticas públicas que utilizam dados e concentram recursos para reduzir a violência têm um impacto significativo no ambiente empresarial. “Foram provavelmente as políticas de segurança pública mais bem-sucedidas nos últimos 30 anos”, destacou ele em entrevista ao Valor.
A relação entre insegurança e questões cotidianas é evidente. A violência, particularmente em grandes centros urbanos, afeta a vida das pessoas, alterando rotas, restringindo horários e influenciando decisões de compra. O medo também inibe investimentos, levando empreendedores a hesitar em abrir novos negócios e trabalhadores a evitar áreas mais perigosas. Esse clima de insegurança prejudica o dinamismo econômico de cidades e estados.
Perdas Econômicas e Desafios
As consequências dos índices elevados de violência são alarmantes. Em uma entrevista ao Estadão em 2024, Maria Silvia Bastos Marques, executiva do setor, alertou que o Brasil corre o risco de “cruzar o ponto de não retorno na violência”, tornando-se menos atraente para investidores. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 2022, as empresas no Brasil gastaram cerca de R$ 171 bilhões com segurança privada e seguros, representando 1,7% do PIB do ano.
Além dos custos diretos com segurança, o impacto da violência se estende à economia em outros aspectos, como queda no comércio e desvalorização de imóveis. O economista Daniel Cerqueira, do Ipea, já comentou que propriedades em áreas inseguras podem valer até 30% menos do que similares em locais mais seguros.
A Necessidade de Políticas Eficazes
Para romper esse ciclo negativo, é essencial implementar políticas públicas baseadas em evidências e planejamento inteligente. A experiência nacional demonstra que avanços são possíveis quando a segurança pública é tratada com seriedade, ao invés de ideologia ou apenas retórica.
A importância da segurança pública se torna ainda mais evidente em 2026, ano de eleições gerais. Uma pesquisa recente do Datafolha revelou que o medo da violência é considerado o segundo maior problema pelos brasileiros, com 19% das menções, atrás apenas da saúde (21%). É crucial que o debate público leve em consideração essas preocupações, já que elas afetam diretamente o ambiente de negócios.
Conclusão
O combate à violência vai muito além de uma questão de polícia; é uma questão central na política econômica do país. Garantir segurança é fundamental para fomentar o empreendedorismo e incentivar investimentos. Essa temática deve ser parte da agenda dos candidatos à Presidência da República.
Ao final, combater a violência não é só salvar vidas, mas também criar condições para que o Brasil se desenvolva economicamente, permitindo que seus cidadãos tenham uma vida melhor.
Fonte: www.blogdorobertoararipina.com.br








