Presidente da Argentina Associa Queda da Natalidade ao Movimento Feminista e ao Aborto Legal
Javier Milei critica políticas de saúde reprodutiva em conferência empresarial em Buenos Aires
O presidente argentino, Javier Milei, gerou polêmica ao afirmar que a queda da natalidade no país está diretamente ligada ao movimento feminista e à legalização do aborto, que ele classificou como uma “loucura” que impacta negativamente a economia e o sistema previdenciário. As declarações foram feitas em uma conferência empresarial na última quinta-feira, 20 de outubro, em Buenos Aires.
Críticas ao Movimento Verde
Milei não hesitou em utilizar uma linguagem contundente, referindo-se ao símbolo da campanha pelo aborto legal na Argentina, os “lencinhos verdes”. “Estamos pagando muito caro pela loucura dos lencinhos verdes”, afirmou o presidente, sublinhando a necessidade de uma taxa de crescimento populacional que sustente a estrutura social do país.
Desafios Demográficos Em Cifrão
Durante seu discurso, o presidente enfatizou que Argentina não consegue alcançar uma taxa de natalidade que mantenha a população estável. “Essa paixão por matar crianças no ventre da mãe também está nos custando caro em termos de crescimento e nem vou falar do impacto sobre o sistema previdenciário”, disse Milei.
De acordo com um relatório recente do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a Argentina enfrenta uma transformação demográfica preocupante, com uma expectativa de fecundidade de apenas 1,2 filho por mulher até 2024. Este número está bem abaixo do necessário para a manutenção populacional, que é de 2,1 filhos por mulher.
Causas da Queda de Fecundidade
O UNFPA aponta que essa queda é resultado de diversos fatores, incluindo limitações financeiras, insegurança no emprego, dificuldades para acessar moradia e a falta de opções de cuidado para os filhos. Um estudo revelou que mais de 60% das pessoas que tiveram menos filhos do que desejavam citam essas barreiras como as principais razões.
Contradições nas Ações do Governo
Milei tem constantemente chamado o aborto de “homicídio agravado pelo vínculo”, embora não tenha tomado medidas para revogar a legislação que legalizou o procedimento em 2020. Organizações não governamentais, por outro lado, acusam seu governo de desmontar programas e instituições voltados à saúde sexual e reprodutiva, criando obstáculos no acesso à interrupção legal da gravidez.
Essas declarações e ações do presidente levantam questões sobre o futuro das políticas de saúde reprodutiva na Argentina e o impacto dessas medidas sobre a sociedade. A discussão sobre a natalidade, as leis de aborto e o movimento feminista continua acesa, refletindo a complexidade do contexto social e econômico do país.
Fonte: www.folhape.com.br








