Celebração da Páscoa no Coliseu: Um Apelo por Paz em Tempos de Conflito
Fiéis se reúnem em Roma para a tradicional via-crúcis, marcada pela dor de guerras contemporâneas.
Cerca de 30.000 pessoas se reuniram na noite desta Sexta-feira da Paixão, 3 de março, no Coliseu de Roma, para participar da primeira via-crúcis sob a liderança do Papa Leão XIV. A celebração ocorreu em meio a um contexto de tensão e conflitos globais, especialmente no Oriente Médio.
Reflexões sobre a Guerra e a Esperança
Entre os presentes estava Sarah, uma palestina católica de 60 anos, que expressou seu desejo de paz e destacou as dificuldades que unem política e religião. Residente nos Estados Unidos e originária de Nazaré, ela aguardou por mais de cinco horas pela vigília de oração. “Precisamos de paz na Terra Santa”, afirmou, evidenciando que os apelos do papa muitas vezes têm um caráter simbólico, já que os governos parecem não ouvir.
Outros fiéis, como Geryes Bejjani, de 33 anos e natural do Líbano, também vieram transmitir uma mensagem de paz e coexistência, apesar das dificuldades de viajar e do recente clima de incerteza em seus próprios países. “O papa é um líder sem interesses pessoais, e isso fortalece sua mensagem”, comentou Geryes.
O Papel do Papa e a Tradição da Via-Crúcis
Foi a primeira vez desde 2022 que o papa participou pessoalmente dessa tradicional celebração, realizada anualmente no Coliseu desde 1964. O Papa Leão XIV, que carrega uma cruz de madeira pelas 14 estações que representam o sofrimento de Jesus até seu sepultamento, representa uma continuidade nas tradições católicas, associando-se a figuras anteriores como João Paulo II e Bento XVI.
Durante a cerimônia, ele reiterou seu pedido por paz em conversas com líderes mundiais, incluindo os presidentes de Israel e Ucrânia. Em semanas recentes, a tensão aumentou com a intensificação de conflitos, incluindo ações militares envolvendo os Estados Unidos e o Irã.
A Esperança Persiste
Sarah, apesar de suas preocupações diante da política, encerrou sua reflexão com um tom esperançoso: “Sempre há esperança. Se perdermos a esperança, a vida não tem mais valor”. Essa mensagem ressoou entre os fiéis presentes, que, com círios nas mãos, submergiram-se em um silêncio respeitoso, apenas interrompido por cânticos litúrgicos.
No domingo, o Papa Leão XIV celebrará a missa de Páscoa na Praça de São Pedro, onde também pronunciará a bênção “Urbi et Orbi”, um momento político que promete ser especialmente significativo neste ano conturbado.
Fonte: www.folhape.com.br







