Polônia Destina R$ 60 Bilhões para Aquisição de Equipamentos Militares
Ministério da Defesa formaliza contratos com empresas locais, utilizando empréstimos da União Europeia
O Ministério da Defesa da Polônia anunciou a assinatura de contratos que totalizam aproximadamente 60 bilhões de zlotys (cerca de R$ 16,5 bilhões) para a compra de veículos de combate, obuses autopropulsados e outros equipamentos militares. O investimento será financiado em grande parte pelo programa de empréstimos de baixo custo da União Europeia, o Security Action for Europe (SAFE).
Controvérsias em torno dos financiamentos
Durante a cerimônia de assinatura, realizada em 30 de maio, Władysław Kosiniak-Kamysz, vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa, criticou o presidente Karol Nawrocki por veto a uma proposta que permitiria o uso do esquema de empréstimos de Bruxelas. Nawrocki argumentou que o SAFE poderia limitar a autonomia do governo em decisões financeiras.
Kosiniak-Kamysz defendeu os termos do empréstimo, afirmando que são mais vantajosos do que os contratos anteriores com a Coreia do Sul, citando um contexto de necessidade de compras rápidas. Ele ressaltou a importância de fortalecer a indústria de defesa polonesa, tanto para atender às necessidades internas quanto para impulsionar as exportações.
Aquisições e estrutura do contrato
Os contratos assinados incluem a compra de 146 veículos de combate Borsuk, 96 obuses Krab de 155mm, 1.000 veículos de comando e comunicação para o sistema Homar-K e 64 morteiros autopropulsados Rak de 120mm. As compras foram contratadas com um consórcio liderado pela PGZ, gigante da defesa estatal.
Kosiniak-Kamysz destacou que o investimento não apenas reforça a capacidade das Forças Armadas polonesas, mas também posiciona o país como um potencial fornecedor no mercado de defesa europeu.
Preocupações com a dependência do financiamento europeu
Mariusz Błaszczak, ex-ministro da Defesa e membro do partido da oposição Lei e Justiça, expressou preocupações sobre o uso de empréstimos do SAFE, temendo que isso possa levar a uma diminuição nas compras de equipamentos dos Estados Unidos em favor de fornecedores europeus. Para Błaszczak, a segurança deve ser tratada com seriedade, sem experimentos políticos.
Entretanto, Kosiniak-Kamysz garantiu que a Polônia continuará a adquirir armamentos dos aliados, incluindo os Estados Unidos, reafirmando compromissos financeiros significativos com os americanos.
Produção nacional de munições e segurança estratégica
Em paralelo, no mesmo dia, o ministério também assinou um contrato de mais de 13,5 bilhões de zlotys para a aquisição de "centenas de milhares" de projéteis de 155mm. Essa estratégia visa acumular estoques de munição e garantir a capacidade de produção local, em resposta às lições aprendidas com o conflito na Ucrânia.
"Todas as munições serão produzidas na Polônia, garantindo independência no abastecimento desse calibre crítico", afirmou Arkadiusz Bąk, vice-presidente da PGZ, destacando o compromisso com a autonomia nacional.
Neste contexto, a Polônia se posiciona como um dos maiores beneficiários do programa de empréstimos da UE, com uma alocação total de cerca de 43,7 bilhões de euros (aproximadamente R$ 50,9 bilhões) para aquisições de defesa. A decisão de diversificar suas fontes de armamentos e reforçar a produção interna reflete uma estratégia clara para garantir a segurança do país em um cenário de incertezas na Europa.
Fonte: www.defensenews.com








