FIFA Enfrenta Crise Interna Após Polêmica Proposta de Abertura a Investidores
Membros da FIFA se distanciam de Gianni Infantino após fracasso de projeto ambicioso
Em um quadro de crescente descontentamento dentro da FIFA, dirigentes de destaque, como Arsène Wenger e Mattias Grafstrom, criticaram abertamente o presidente Gianni Infantino e sua proposta de abrir a entidade a investidores privados. O projeto, que visava arrecadar US$ 4,2 bilhões, foi retomado por Infantino, mas enfrentou forte oposição e foi abandonado no último sábado.
A proposta controversa
O plano, conhecido como FIFA Forward Enterprise (FFE), pretendia vender 20% das ações a investidores privados, avaliando a empresa em US$ 20 bilhões. A iniciativa gerou uma reação negativa imediata, resultando na rejeição de três confederações, o que forçou Infantino a desistir da ideia.
Wenger, que atua como diretor de desenvolvimento do futebol mundial, comentou que a decisão foi “absolutamente necessária e incontestável” e declarou seu apoio a uma FIFA independente, comprometida com a transparência e a integridade. Ele revelou que não estava envolvido no projeto e que tomou conhecimento dele apenas pela imprensa.
Outros se manifestam contra
Além de Wenger, Mattias Grafstrom, secretário-geral da FIFA, também se manifestou contra a proposta. Em um e-mail interno, Grafstrom lamentou o que chamou de "triste e repreensível série de eventos" e expressou alívio pelo abandono do projeto. Ele enfatizou que a missão da FIFA continua inabalável, embora a pressão interna e externa sobre Infantino se intensifique.
Na sexta-feira, Carlos Cordeiro, conselheiro próximo de Infantino, renunciou ao cargo, criticando o projeto como “ruim para o futuro do futebol”. Essa oposição interna se soma ao crescente descontentamento externo, especialmente da UEFA, que declarou ter “perdido a confiança” em Infantino.
Ameaça de ação judicial
A UEFA, em uma carta recente, notificou oficialmente planos para iniciar ação judicial contra a FIFA. A entidade europeia pediu a preservação de documentos relacionados ao FFE, sinalizando que medidas legais estão em andamento.
Futuro incerto da Copa do Mundo de Clubes
O descontentamento na FIFA também se estende à nova Copa do Mundo de Clubes, agendada para 2025, que terá 32 equipes. Segundo uma fonte, as negociações com clubes ainda não avançaram, e isso pode ameaçar a próxima edição, prevista para 2029. Muitos dirigentes expressam a necessidade de mudanças estruturais na gestão do futebol mundial.
Rumo às eleições de 2027
Apesar das dificuldades, Gianni Infantino é o único candidato à presidência da FIFA nas eleições de março de 2027. Para garantir seu novo mandato de quatro anos, ele precisará do apoio de 106 das 211 federações-membro, mas já enfrentou a retirada de apoio de quatro federações europeias: Finlândia, País de Gales, Sérvia e Suécia.
Com um cenário tão turbulento, o futuro de Infantino e da FIFA permanece incerto, colocando à prova a liderança da entidade máxima do futebol mundial.
Fonte: www.folhape.com.br








