Exército Francês Reformula Estrutura de Artilharia para Aumentar a Sobrevivência no Campo de Batalha
Medida busca aprimorar a segurança das tropas diante da ameaça crescente de drones
O 68º Regimento de Artilharia Africano (68e RAA) da França está passando por uma reestruturação significativa em suas baterias de artilharia. A iniciativa visa fazer com que as unidades fiquem mais compactas e adaptáveis, especialmente em um cenário de combate moderno, onde drones e fogo contra-bateria representam um risco constante.
Mudança Estrutural das Baterias
A nova configuração dividirá as baterias de obuseiros Caesar de 155 mm em seções menores, passando de duas seções de quatro peças para três seções com duas peças cada. De acordo com o Coronel Rémy Jaillet, comandante do 68e RAA, essa mudança não afetará o número total de obuseiros, que permanecerá o mesmo por enquanto.
Tecnologia para Aumentar a Eficácia
Para garantir que a artilharia mantenha sua capacidade de fogo em massa, mesmo com a nova divisão, o regimento está utilizando o sistema de controle de fogo Atlas. Este sistema permitirá a coordenação entre as várias seções de forma eficiente, mesmo enquanto as peças de artilharia estão mais dispersas.
"O que pode parecer contra-intuitivo é que dividir as seções em pares aumenta a disponibilidade de fogo e, por conseguinte, a capacidade de resposta", explica Jaillet. Ele destaca que unidades menores são também mais resistentes e têm maior chance de sobrevivência em um ambiente degradado.
Aprendizado com a Guerra na Ucrânia
A reestruturação do 68e RAA está alinhada a lições aprendidas por forças da OTAN, especialmente em relação à guerra na Ucrânia, onde a exposição constante a drones exigiu novas táticas. As forças ucranianas têm se dispersado, encurtando as missões de fogo e ocultando suas posições para evitar represálias.
Jaillet observou que, apesar dessa reorganização, não se deve considerar ainda um novo padrão para todas as unidades do exército.
Nova Seção de Apoio à Artilharia
Uma das inovações é a criação de uma seção dedicada a identificar posições de tiro, configurar iscas e pré-posicionar munições. Em vez de cada seção de obuseiros contar com seus próprios elementos de reconhecimento, essa nova estrutura centraliza essas funções para melhorar a manobrabilidade e a proteção.
Conceitos de “Bolsas de Opacidade”
Na zona de operação, os obuseiros Caesar serão posicionados em “bolsas de opacidade”, que são locais ocultos e que produzem mínimas emissões para evitar detecção. A nova seção de apoio será responsável por gerar suprimentos de munição e criar proteções, como gaiolas metálicas em torno das posições de tiro.
Experiência Prática e Perspectivas Futuras
O novo modelo organizacional já foi testado em campo, inclusive em exercícios de grande escala, permitindo ajustes na estrutura e nas inovações de segurança. A primeira bateria de obuseiros Caesar deve se adaptar permanentemente a essa nova configuração no próximo ano, com as demais seguindo posteriormente.
A modernização da artilharia francesa também se reflete na integração de novos equipamentos, como radares de vigilância terrestre e drones de reconhecimento, com o objetivo de aprimorar a detecção e a eficácia no campo de batalha.
O Coronel Jaillet ressaltou a necessidade de evolução constante em equipamentos e táticas, enfatizando que, apesar da pressão por padrões mais defensivos, é fundamental implementar abordagens mais dinâmicas para garantir a eficácia das operações.
Fonte: www.defensenews.com








