Revolução da Indústria: Como a França Está Transformando a Produção de Drones da Teoria à Prática

França Impulsiona Indústria Automobilística para Produção de Drones Militares

Parcerias entre montadoras e empresas de defesa visam aumentar a capacidade de produção nacional em resposta à guerra na Ucrânia.

A França está unindo forças entre sua indústria automobilística e o setor de defesa para fortalecer a produção de drones militares. Desde o início do ano, pelo menos seis parcerias foram firmadas, refletindo a estratégia do governo do presidente Emmanuel Macron de alavancar a automação e as economias de escala do setor automotivo.

Contexto da Iniciativa

O uso intenso de drones nos confrontos entre Ucrânia e Rússia transformou as estratégias de combate e fez com que países europeus, como a França, priorizassem a produção desse tipo de tecnologia militar. A pressão dos Estados Unidos para que a Europa amplie suas capacidades militares também influenciou essa decisão.

Os projetos em andamento têm como objetivo estabelecer uma base industrial capaz de produzir dezenas de milhares de drones anualmente, uma meta que startups de defesa sozinhas teriam dificuldades para alcançar.

Rumo à Produção Escalonada

“Por que agora? Porque a necessidade é imediata, drones são essenciais”, afirmou Christophe Périllat, CEO da fornecedora de peças automotivas Valeo. Ele ressaltou ainda que a França deve garantir sua própria soberania.

Embora oficiais de defesa não prevejam a necessidade de um grande número de drones no curto prazo, eles ressaltam a importância de estar preparado para possíveis conflitos. Um relatório recente do comitê de defesa do Senado francês alertou que o estoque nacional de apenas alguns mil drones é “insuficiente para atingir uma massa crítica”.

Entre os novos desenvolvimentos, a Valeo planeja fabricar motores elétricos para drones na França, enquanto a Forvia estabeleceu uma parceria com uma empresa de defesa europeia para desenvolver sistemas de combate a drones e considerar a produção mensal de mil interceptores.

A Renault está colaborando com a Turgis & Gaillard no desenvolvimento de um drone de longo alcance e com a Thales para industrializar a produção do drone kamikaze Toutatis, com metas de até mil unidades mensais a partir de 2027. A Delair, fabricante de drones da França, também se uniu à fornecedora Schaeffler para estabelecer uma linha de produção capaz de gerar 100 drones por dia até novembro.

Desafios na Produção em Massa

Se todos os planos forem implementados, a produção combinada das empresas pode atingir 60 mil drones por ano. Contudo, os especialistas afirmam que, em um conflito, essa quantidade poderá ainda ser considerada insuficiente.

A guerra na Ucrânia demonstrou que os drones têm um papel crucial no campo de batalha, sendo responsáveis por grande parte das baixas. A situação levou a um aumento significativo no uso de drones por parte da Ucrânia, que planeja produzir 10 milhões de unidades até 2026.

Preparações para o Futuro

Patrick Pailloux, chefe da agência de compras de defesa da França, destaca que a colaboração com subcontratados automotivos é crucial para desenvolver drones que possam ser produzidos em grande escala. Ele também observou que o foco não é apenas a criação de um novo modelo, mas sim a capacidade de replicá-lo rapidamente em linhas de produção.

Recentemente, a Renault anunciou que o drone Toutatis será reformulado para incorporar menos componentes, usando plástico moldado por injeção, o que possibilitará uma produção mais econômica e em maior volume do que o modelo atual, que utiliza impressão 3D.

Implicações e Investimentos

Os desafios incluem escalonar a capacidade de produção sem criar estoques que rapidamente se tornem obsoletos. Patrice Caine, CEO do grupo de tecnologia de defesa Thales, mencionou que os drones “evoluem rapidamente” devido aos avanços tecnológicos.

O primeiro-ministro francês, Sebastien Lecornu, anunciou no ano passado um investimento de 150 milhões de euros para desenvolver um setor dedicado a drones. Entretanto, Antoine Level, líder da associação da indústria de drones da França, destacou que o país ainda precisa explorar mais possibilidades, observando que a Alemanha leva vantagem em financiamento para drones de curto alcance e que as ordens atuais não são suficientes para realmente impulsionar a indústria.

Fonte: www.defensenews.com