Pernambuco avança com projeto para proteger banhistas de ataques de tubarões
Após uma sequência de incidentes no litoral, deputado propõe redes de proteção e defende cuidado ambiental.
O deputado estadual Romero Albuquerque (PSB) apresentou na Assembleia Legislativa de Pernambuco o Projeto de Lei nº 4.154/2026. A proposta estabelece diretrizes para a criação, manutenção e monitoramento de redes de proteção voltadas a banhistas em áreas do litoral pernambucano consideradas de risco para ataques de tubarões.
A iniciativa surge em resposta a dois casos graves ocorridos na semana passada. No último domingo, um menino de 11 anos teve a perna esquerda amputada após ser atacado na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. Na segunda-feira, uma jovem de 19 anos sofreu uma mordida na perna enquanto nadava em Boa Viagem, no Recife. Desde o início do monitoramento de incidentes com tubarões, em 1992, Pernambuco já registrou 84 ocorrências.
Novas diretrizes para a segurança
De acordo com o projeto, as redes de proteção devem ser implementadas em regiões classificadas como de alto risco, fundamentadas em estudos técnicos e com a devida licença ambiental. A proposta inclui sinalização permanente, inspeções regulares e a parceria com universidades e instituições de pesquisa. Além disso, os equipamentos utilizados deverão ser projetados para minimizar os impactos sobre a fauna marinha.
Romero Albuquerque acredita que é possível garantir a segurança dos banhistas sem sacrificar o meio ambiente. "Proteger a vida de quem entra no mar é obrigação do Estado, mas não precisamos escolher entre salvar banhistas ou destruir o ecossistema. Existe tecnologia e práticas bem-sucedidas no mundo. O que falta é decisão. Pernambuco não pode continuar apenas com placas de alerta enquanto crianças perdem suas pernas no mar", declarou o deputado.
Debate sobre controle de tubarões
O projeto também reabre discussões após declarações do deputado federal Luciano Bivar (MDB), que sugeriu medidas como o uso de espinhéis e o abate de tubarões. Romero contraria essa abordagem, considerando-a inadequada. "Matar tubarões é um palpite infeliz. O espinhel promove a morte indiscriminada de diversas espécies marinhas e eliminar predadores não resolve o problema, mas desorganiza ainda mais o ecossistema. Pesquisadores avisam que os ataques no Recife estão relacionados à alteração do habitat devido à construção do Porto de Suape, que deslocou os tubarões para nossas praias", afirmou.
A proposta de Albuquerque busca, portanto, uma alternativa mais consciente e eficaz para garantir a segurança dos banhistas, enquanto protege a vida marinha e o equilíbrio do ecossistema local.
Fonte: blogpontodevista.com








