Rússia pode desencadear conflito regional com a OTAN em até um ano, aponta relatório de inteligência
Estudo revela que Moscovo planeja ações para dividir a aliança ocidental após a guerra na Ucrânia.
Um novo relatório do Serviço de Inteligência Militar da Holanda (MIVD) alerta que a Rússia pode estar se preparando para um possível conflito regional com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) dentro de um ano após o fim das hostilidades na Ucrânia. O objetivo, segundo o documento, não seria a derrota militar da aliança, mas sim criar divisões internas através de ganhos territoriais limitados, potencialmente sob a ameaça do uso de armas nucleares.
A preparação russa
A análise destaca que, enquanto a Rússia estiver engajada na guerra com a Ucrânia, um conflito convencional com a OTAN é considerado "virtualmente impossível". Contudo, o MIVD afirma que o país já está realizando preparativos concretos para um possível embate. O diretor do MIVD, Vice-almirante Peter Reesink, enfatiza que a Rússia representa a maior e mais direta ameaça à paz e à estabilidade na Europa, impactando a segurança nacional e os interesses da aliança.
Identificação de ameaças e mudanças no cenário
Inteligências ocidentais concordam amplamente que a Rússia está ativamente se preparando para um eventual conflito com a OTAN, embora haja divergências quanto ao momento. A Estônia, por exemplo, acredita que a Rússia não deve atacar militarmente nenhum membro da OTAN no próximo ano, sugerindo que a avaliação se manterá similar até que a Europa reforce suas defesas.
A guerra na Ucrânia, conforme destacado no relatório, é parte de uma tentativa mais ampla da Rússia para alterar fundamentalmente a arquitetura de segurança europeia. O MIVD observa que, diante da falta de fatores mitigadores clássicos da Guerra Fria, como controle de armamentos e diálogo estruturado, a situação atual é muito mais volátil.
Armas e desafios tecnológicos
O relatório também menciona que a Rússia tem demonstrado uma capacidade significativa de manter sua produção de armas, mesmo sob sanções, enquanto enfrenta desafios, como o esvaziamento da indústria espacial devido a restrições econômicas. Com isso, Moscovo busca alternativas, como a aquisição de tecnologia espacial de empresas chinesas.
A MIVD ainda aponta uma crescente colaboração entre a Rússia e a China, que, apesar de se declarar "pseudo-neutra" em relação ao conflito, intensificou sua cooperação militar com Moscovo no último ano, especialmente no que diz respeito às lições aprendidas na guerra da Ucrânia.
Um cenário de incertezas
Por último, o cenário internacional se mostra ainda mais complicado com o início de uma nova corrida armamentista nuclear, com China se posicionando como uma potência nuclear significativa. A combinação de controle de armas fraco, inovação tecnológica, especialmente em inteligência artificial e computação quântica, torna a situação atual de segurança mais difícil de controlar em comparação à Guerra Fria.
As implicações desse relatório são vastas, já que a preparação russa pode ter consequências diretas para a defesa da OTAN e para a estabilidade global.
Fonte: www.defensenews.com







